Questão 82 — Associação Médica do Paraná (AMP) 2026
Medicina PreventivaEpidemiologiaDeterminantes Sociais de Saúde
Considerando os estudos sobre as relações entre a saúde das populações e as desigualdades nas condições de vida em diferentes sociedades, é possível afirmar que:
A
O principal fator que explica a situação geral da saúde de um país é sua riqueza total, independentemente do grau de crescimento econômico do país.
A equidade (distribuição equilibrada da riqueza) afeta as condições de saúde muito mais do que a simples quantia de riqueza absoluta da nação.
B
A distribuição geográfica equitativa de recursos financeiros no setor saúde é condição necessária e suficiente para alcançar o tratamento equitativo entre grupos sociais e entre indivíduos.
É uma premissa necessária, mas não suficiente, pois determinantes sociais fora do setor saúde também definem criticamente as condições de vida.
C
Grupos de renda média em um país com alto grau de iniquidade de renda apresentam uma situação de saúde pior que a de grupos com renda inferior que vivam em uma sociedade mais equitativa.
Alternativa aceita pela banca. Explicação abaixo.
D
Um dos principais mecanismos pelos quais as iniquidades de renda produzem um impacto negativo na situação de saúde é o desgaste do capital social, ou seja, da proporção da riqueza do país distribuída adequadamente na sociedade.
O capital social refere-se às redes de cooperação, confiança, participação comunitária e laços sociais, não sendo uma métrica financeira de proporção econômica.
E
Distribuições igualitárias de recursos de saúde per capita tendem a resultar na obtenção de patamares mais igualitários nos resultados obtidos na saúde da população quando estes resultados são medidos em unidades como igualdade de acesso ou igualdade de uso.
A igualdade simples de recursos negligencia a existência de necessidades variadas; para resultados idênticos seriam precisos recursos desiguais que sigam o princípio da equidade.
Ver Resposta e Comentário
Resposta CorretaC
Comentário
Diversos estudos clássicos da Epidemiologia Social e sobre os Determinantes Sociais de Saúde (notoriamente liderados por pensadores como Richard Wilkinson) demonstram que, uma vez superadas as barreiras da miséria extrema, a iniquidade relativa de renda dentro de uma sociedade impõe um impacto patogênico profundo e abrangente à saúde global. O alto gradiente e disparidade de vida geram tensões psicossociais, corroem a confiança interpessoal (capital social) e aumentam a violência. Consequentemente, as estatísticas comprovam que indivíduos de classe média que vivem em nações extremamente desiguais podem apresentar desfechos de vida, morbilidade e mortalidade piores do que cidadãos pobres que estão inseridos em países altamente igualitários e coesos.