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ENARE 2027 — R+ Clínica Médica

Questão 22 — ENARE 2027 — R+ Clínica Médica

Clínica Médica Cardiologia Doença Arterial Coronariana
Homem de 65 anos, hipertenso, procura serviço de emergência por dor retroesternal em pressão, irradiada para ambos os membros superiores e para o dorso. Relata que episódios de menor intensidade haviam começado há aproximadamente cinco dias, com acentuação da dor nas últimas 24 horas. Nega infarto prévio. O eletrocardiograma realizado durante a avaliação inicial não apresenta supradesnivelamento persistente do segmento ST. A troponina I, inicialmente de 15.596 ng/L, apresenta elevação para valor superior a 40.000 ng/L em nova dosagem. Apresenta hemoglobina de 13,7 g/dL, creatinina de 0,84 mg/dL e não há evidência clínica de sangramento ativo. É instituído tratamento com ácido acetilsalicílico, inibidor do receptor P2Y12 e anticoagulação em dose terapêutica. Para controle dos sintomas isquêmicos, são administrados betabloqueador por via oral e nitroglicerina intravenosa em infusão contínua, progressivamente titulada conforme a intensidade da dor e a tolerância hemodinâmica. O paciente permanece sob monitorização cardíaca contínua. Apresenta pressão arterial de 120/80 mmHg, frequência cardíaca de 72 bpm, frequência respiratória de 21 irpm e saturação periférica de oxigênio de 98% em ar ambiente. Ao exame físico, está lúcido e orientado, com extremidades aquecidas, sem sinais de hipoperfusão, congestão pulmonar ou insuficiência cardíaca aguda. Nas horas subsequentes, apesar das medidas instituídas e sem ocorrência de hipotensão ou outro efeito adverso que impeça a titulação do nitrato, o paciente continua apresentando episódios recorrentes de dor retroesternal em pressão, com as mesmas características isquêmicas da apresentação inicial. Considerando a estratificação de risco e a definição do momento da abordagem invasiva na síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento persistente do segmento ST, assinale a opção que apresenta a conduta mais apropriada.
A Manter o tratamento clínico e postergar a cineangiocoronariografia até que seja demonstrada redução significativa da troponina, uma vez que a persistência de níveis muito elevados do biomarcador aumenta o risco de complicações relacionadas à intervenção coronariana.
B Realizar fibrinólise sistêmica imediatamente, pois a persistência da dor associada à elevação acentuada e progressiva da troponina indica extensa área de miocárdio sob risco e justifica reperfusão farmacológica, mesmo na ausência de supradesnivelamento persistente do segmento ST.
C Manter o tratamento clínico e realizar cineangiocoronariografia durante o mesmo internamento, sem necessidade de abordagem imediata, pois a estabilidade hemodinâmica, a ausência de insuficiência cardíaca aguda e a inexistência de supradesnivelamento persistente do segmento ST afastam critérios de muito alto risco.
D Indicar estratégia invasiva imediata, com cineangiocoronariografia de emergência e intenção de proceder à revascularização caso a anatomia coronariana seja passível e haja indicação, pois a persistência de episódios recorrentes de isquemia miocárdica apesar do tratamento instituído caracteriza condição de muito alto risco.
E Manter o tratamento clínico e programar cineangiocoronariografia após 48 horas, pois o diagnóstico de infarto sem supradesnivelamento do segmento ST e a elevação da troponina caracterizam alto risco, mas a estabilidade hemodinâmica e a ausência de insuficiência cardíaca aguda permitem postergar a estratégia invasiva, mesmo diante da persistência dos episódios de dor isquêmica.
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Resposta Correta D
Comentário

O paciente tem infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do ST e mantém isquemia recorrente apesar de tratamento anti-isquêmico otimizado, incluindo nitrato IV titulável. Dor refratária/recorrente é critério de muito alto risco e indica estratégia invasiva imediata, independentemente de estabilidade hemodinâmica momentânea.

Assim, deve ser encaminhado para cineangiocoronariografia de emergência, com intenção de revascularização conforme anatomia. Fibrinólise não é indicada na síndrome coronariana sem supra persistente. Troponina muito elevada reforça risco, mas não se deve esperar sua queda para cateterismo.

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