Uma gestante de 34 anos, G2/P1, comparece à consulta de pré-natal na 31ª semana de gestação. O obstetra discute as estratégias de prevenção da Bronquiolite Viral Aguda pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) para o futuro recém-nascido. Considerando as recomendações atuais da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) para o uso do novo anticorpo monoclonal nirsevimabe para o lactente e do programa Nacional de Imunizações para o uso da vacina bivalente recombinante de pré-fusão F para gestantes, assinale a alternativa CORRETA.
A
A estratégia preferencial para maximizar a proteção consiste na administração da vacina de VSR para a gestante após 34ª semana e, obrigatoriamente, na administração do nirsevimabe para o recém-nascido na maternidade, independentemente da idade gestacional ao nascer, garantindo "dupla barreira imunológica".
Não há indicação sistemática de "dupla barreira imunológica"; utiliza-se a vacina materna ou o anticorpo no bebê.
B
Caso a gestante opte por receber a vacina contra o VSR nesta consulta e o parto ocorra a termo, o recém-nascido saudável não terá indicação de receber o nirsevimabe, pois é considerado protegido pela transferência passiva de anticorpos maternos.
Alternativa aceita pela banca. Explicação abaixo.
C
O nirsevimabe, assim como o palivizumabe, está indicado pelas sociedades médicas exclusivamente para grupos de alto risco, como prematuros abaixo de 29 semanas, portadores de cardiopatia congênita ou displasia broncopulmonar, não havendo indicação para lactentes a termo saudáveis.
O nirsevimabe tem indicação ampliada, podendo ser usado em todos os lactentes a termo no primeiro ano de vida (em países/contextos onde está disponível).
D
A vacina contra o VSR para gestantes no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, deve ser administrada apenas em gestantes com idade maior de 18 anos.
A vacina pode ser administrada mesmo que a gestante seja adolescente, conforme os marcos normativos da imunização materna não restringirem por 18 anos.
E
Se a mãe não for vacinada durante a gestação, a recomendação da SBP é a indicação do nirsevimabe ao recém-nascido, porém sua proteção é de curta duração (cerca de 30 dias), necessitando de doses mensais repetidas durante toda a sazonalidade do vírus.
O nirsevimabe é um anticorpo de ação prolongada (meia-vida longa), sendo aplicada apenas uma dose sazonal, diferente do palivizumabe.
Ver Resposta e Comentário
Resposta CorretaB
Comentário
A vacina contra o VSR (Abrysvo) foi aprovada no Brasil e no mundo para uso em gestantes (geralmente entre 24-36 semanas ou a partir da 32ª semana no PNI dependendo da portaria) com o objetivo de promover a transferência passiva transplacentária de anticorpos ao feto. O nirsevimabe é um anticorpo monoclonal de longa duração para uso em lactentes. As diretrizes sugerem utilizar apenas uma das estratégias para lactentes nascidos a termo e saudáveis: ou a vacina materna ou o nirsevimabe no bebê, uma vez que a dupla proteção não demonstrou benefício adicional significativo do ponto de vista de custo-efetividade. Assim, se a mãe for vacinada adequadamente e o parto ocorrer no termo, a criança é considerada protegida, e o nirsevimabe não será indicado. A alternativa B reflete essa orientação.
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