Questão 7 — TPI Afya 2023.1
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Dentre os vários escores propostos na literatura sobre hiperemese gravídica, sobressai o Pregnancy Unique Quantification of Emesis (PUQE), inicialmente utilizado para essa finalidade por Magee et al. (2002). Esse escore se apresenta como ferramenta de grande utilidade pelo melhor desempenho apresentado.
Tabela para determinação da gravidade da NVG – Escore de PUQE (Pregnancy Unique Quantification of Emesis)
Por quanto tempo se sentiu nauseada nas últimas 24 horas? Nunca (1) – Até 4 horas (2) – Até 8 horas (3) – Até 12 horas (4) – > de 12 horas (5)
Quantos episódios de vômitos apresentou nas últimas 24 horas? Nenhum (1) – Um episódio (2) – Até 3 episódios (3) Até 4 episódios (4) – Mais de cinco (5)
Em quantos momentos observou intensa salivação e esforço de vômito nas últimas 24 horas? Nenhum (1) – Até 3 vezes (2) – Até 5 vezes (3) – Até 8 vezes (4) – Todo tempo (5)
Classificação – Pontuação ≤ 6 (forma leve); entre 7 e 11 (forma moderada); ≥ 12 (forma grave)
Nas formas moderadas e graves do quadro de NVG (> 6 do escore de PUQE), a gestante deve ser abordada de maneira multidisciplinar em ambiente hospitalar. O reconhecimento da hiperêmese gravídica é fundamental para evitar a elevada morbidade associada ao atraso do tratamento.
A hiperêmese gravídica apresenta evolução nítida de comprometimento materno, como se segue:
• Fase de desidratação: Náusea e ptialismo intensos, vômitos fortes levando a quadro de
desidratação. A paciente apresenta-se com diminuição do turgor e da elasticidade da pele, olhos encovados, mucosas secas e pegajosas, língua áspera, taquicardia, hipotensão e hipotermia. Distúrbios hidroeletrolíticos podem estar presentes. O hematócrito encontra-se um pouco aumentado.
• Fase metabólica: Ao quadro clínico anterior, somam-se distúrbios nutricionais (perda de
peso maior que 5%); alterações da função hepática com elevação de enzimas e bilirrubinas (icterícia discreta); cetoacidose e cetonúria 2 ou 3+; hipoalbuminemia, hiponatremia e hipopotassemia. Hipoglicemia já ocorre nessa fase. Pode ocorrer hipotermia e torpor.
• Fase neurológica: Os achados anteriores somados a quadro de comprometimento oftálmico
com lesões retinianas e alterações neurológicas iniciais com hiporreflexia e dor à palpação das panturrilhas e coxas.
• Fase da psicose de Wernicke-Korsakoff: Trata-se de uma encefalopatia amoniacal,
caracterizada por instabilidade hemodinâmica de difícil controle, alucinações e coma. Esse quadro é irreversível na maioria das vezes.
Conduta mais adequada:
Internação: Torna-se necessária tanto para o tratamento como para retirar a paciente do ambiente de estresse. Controle de peso e de diurese diário. Correção de distúrbios hidroeletrolíticos. Evitar suplementação de derivados de ferro, pois aumentam os sintomas. Apoio psicológico. Jejum por 24 a 48 horas. Alimentação parenteral pode ser necessária em casos mais graves.
Hidratação venosa e reposição iônica: A hidratação parenteral deve ser iniciada de imediato, sendo indicada reposição de 2.000 a 4.000 mL em 24 horas. Nos casos de hidratação venosa prolongada, repor vitamina B1 e B6. A reposição de potássio está indicada nos casos de hipopotassemia.
Medicamentos: Recomenda-se a dose de 8 mg de ondansetrona por via venosa a cada 6 horas. O antiemético de segunda escolha nesse quadro será a metoclopramida na dose de 10 mg por via venosa a cada 6 horas. Em situações emergenciais com baixa resposta às medidas até aqui sugeridas, recorre-se aos corticosteroides. É importante lembrar que todas essas drogas devem estar sempre associadas à administração de vitaminas do complexo B, principalmente B1 e B6.
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