USP RP 2025
Questão 25 — USP RP 2025
Paciente do sexo feminino, de 72 anos de idade, com história de hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo 2, obesidade grau 2, fibrilação atrial crônica, lombalgia crônica por espondiloartrose e transtorno depressivo crônico. Faz uso regular de dipirona, losartana, insulinas NPH e regular, metformina, sertralina e varfarina, não fuma e ingere cerveja diariamente, mas não sabe precisar a quantidade, ao médico de família e comunidade (MFC). Paciente vem à Unidade de Saúde da Família, onde é seguida há 17 anos, para atendimento eventual. Durante consulta com o MFC informa que, há cerca de 3 meses, após a morte do esposo, vem apresentando, diariamente, tristeza, anedonia, insônia, perda de apetite, sentimento de menos valia, sem esperança de melhora no futuro. Nega sintomas psicóticos. Paciente está morando sozinha, tem apenas uma filha e a relação das duas sempre foi muito conflituosa, com piora nos últimos meses, devido a desentendimentos pela divisão da herança do esposo. Paciente reduziu suas atividades sociais de costume, perdendo contato com amigos e outros familiares. Ao ser questionada pelo MFC, responde que tem vontade de morrer, pois já não vê solução para sua vida. Revela que, há cerca de 20 anos, ingeriu vários medicamentos para tentar tirar a própria vida. Ela relata que pensa em tirar a própria vida tomando grande dosagens de seus medicamentos, de uma só vez. Paciente sente que suas forças para suportar a dor emocional estão se acabando. Qual é a conduta mais adequada?
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Resposta Correta
B
Comentário
A paciente apresenta alto e iminente risco de suicídio: plano estruturado (tomar seus medicamentos), método disponível em casa, ausência de rede de apoio (mora sozinha e relação familiar rompida), história prévia de tentativa (fator de risco mais importante), idade avançada, múltiplas comorbidades, e sentimento forte de desesperança e esgotamento. Nesses casos, a paciente não pode retornar para casa sozinha e com acesso às medicações. Deve ser encaminhada para avaliação em serviço de urgência ou psiquiátrico de imediato, mesmo que seja contra a sua vontade inicial (podendo se caracterizar como internação/encaminhamento involuntário visando proteger o bem maior que é a vida).
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