Dose Pediátrica de Paracetamol

Calcule rapidamente e com precisão a dose de paracetamol (acetaminofeno) em gotas ou em mL para uso pediátrico, garantindo a janela terapêutica segura e evitando superdosagens acidentais.

Dose Pediátrica

Paracetamol (200mg/mL)

Prescrição Estimada

Considerando apresentação 200mg/mL (1 gota = 10mg)

Considerações Clínicas
  • A dose pediátrica recomendada é de 10 a 15 mg/kg por dose.
  • O intervalo posológico padrão deve ser de 4 a 6 horas, conforme a recorrência da febre ou intensidade da dor.
  • Alerta Máximo: Nunca exceder a dose diária máxima de 75 mg/kg/dia (ou 5 doses de 15 mg/kg em 24 horas) sob grave risco de falência hepática fulminante.

Como calcular a dose de Paracetamol para crianças?

O cálculo posológico pediátrico do Paracetamol (Acetaminofeno) deve ser estritamente baseado no peso corporal (em quilogramas) da criança, e nunca apenas na sua faixa etária. A margem terapêutica ótima para obter eficácia antitérmica e analgésica varia entre 10 a 15 mg/kg por tomada.

A dificuldade prática para os cuidadores e até mesmo para recém-formados reside na conversão dessa dose em miligramas (mg) para o volume físico em gotas ou mililitros (mL), que muda drasticamente dependendo da formulação comercial adquirida na farmácia.

A “Armadilha” das Apresentações Comerciais: Gotas vs. Xarope

No Brasil e em muitos países, o Paracetamol infantil é comercializado em diferentes concentrações que frequentemente causam erros de dosagem graves. É mandatório checar a bula ou o rótulo antes de medicar:

  1. Paracetamol Bebê/Criança em Gotas (Concentração 200 mg/mL):
    • É a formulação mais concentrada.
    • Nesta apresentação, 1 mL equivale a cerca de 20 gotas. Portanto, cada gota contém aproximadamente 10 mg de Paracetamol.
    • Regra prática: Se a dose alvo for 10 mg/kg, o cálculo resulta em exatamente 1 gota por quilo de peso (ex: criança de 12 kg = 12 gotas). Contudo, muitos pediatras optam por prescrever 15 mg/kg (ex: 1,5 gotas por quilo) para febres mais resistentes.
  2. Paracetamol Suspensão Oral / Xarope (Concentração 32 mg/mL ou 160 mg/5 mL):
    • Muito menos concentrado. Ideal para crianças maiores onde contar 30 ou 40 gotas se torna inviável.
    • Regra prática: O cálculo exige uma simples regra de três: Multiplica-se o peso pela dose em mg, e divide-se por 32 para obter o volume em mL a ser puxado na seringa dosadora.

Fisiologia e Farmacologia Básica

O Paracetamol atua predominantemente no Sistema Nervoso Central, inibindo a via da ciclooxigenase (possivelmente a isoforma COX-3) de forma reversível. Isso bloqueia a síntese de prostaglandinas hipotalâmicas (baixando o centro termorregulador) e reduz os impulsos de dor. Diferente dos AINEs clássicos (como Ibuprofeno e Diclofenaco), o Paracetamol possui um fraco efeito anti-inflamatório periférico, o que confere a ele uma grande vantagem pediátrica: não irrita a mucosa gástrica e não afeta a função plaquetária.

Hepatotoxicidade e o Perigo do NAPQI

Apesar de ser considerado um dos medicamentos mais seguros da pediatria quando usado na janela terapêutica, o Paracetamol é a principal causa de falência hepática aguda por intoxicação medicamentosa no mundo.

Cerca de 5% da dose de Paracetamol é metabolizada pelo citocromo P450 (principalmente CYP2E1) no fígado, gerando um metabólito altamente tóxico chamado NAPQI (N-acetil-p-benzoquinona imina). Em doses normais, o glutationa hepático neutraliza rapidamente o NAPQI. Na superdosagem (acima de 75-90 mg/kg/dia), os estoques de glutationa se esgotam, o NAPQI livre destrói as células hepáticas causando necrose centrolobular irreversível.

Dicas de Segurança (Red Flags):

  • Cuidado com as “associações medicamentosas”: Muitos xaropes antigripais (para tosse e coriza) já contêm paracetamol embutido na fórmula. Administrar o antigripal junto com o paracetamol em gotas pode causar superdosagem letal.
  • Antídoto: Em casos de ingestão acidental massiva, a N-acetilcisteína (NAC) é o antídoto padrão, devendo ser administrada preferencialmente nas primeiras 8 horas.

Referências Bibliográficas

Referências e Guidelines Científicos
  • Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) (2017). Documento Científico: Manejo da Febre Aguda. Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial.
  • Dart, R. C., Rumack, B. H. (2007). Patient-tailored acetaminophen management. Pediatrics, 120(5), 1162-1163.
  • Kearns, G. L., Abdel-Rahman, S. M., Alander, S. W., Blowey, D. L., Leeder, J. S., & Kauffman, R. E. (2003). Developmental pharmacology—drug disposition, action, and therapy in infants and children. New England Journal of Medicine, 349(12), 1157-1167.
  • UpToDate (2025). Acetaminophen (paracetamol) poisoning in children and adolescents.

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