Questão 100 — Associação Médica do Paraná (AMP) 2026
Medicina PreventivaPromoção da Saúde e Prevenção de DoençasEstilos de Vida e Fatores de RiscoPrevenção Cardiovascular
Logo após a consulta de Ademir você atende Bino, semelhante em diversos aspectos: também 53 anos, pardo, classe social baixa, fumante, sem doenças prévias e, nos exames realizados há 2 semanas, resultados laboratoriais iguais: colesterol total= 255mg/dL, HDL= 40mg/dL, glicemia de jejum= 98mg/dL. Mas Bino é agricultor, ingere 3 doses de cachaça 4 dias por semana, não usa remédios, não tem história familiar de infarto. Bino veio em busca de segunda opinião, traz declaração emitida dias atrás por outro médico: nela, consta PA =146/96, IMC=28, Risco Cardiovascular pela calculadora de Framingham (2008) = 33% de risco de desfechos coronarianos duros em 10 anos. Você recalcula por Framingham e obtém o mesmo resultado, mas confere pela tabela de Risco Cardiovascular Global da OMS calibrada para o Brasil e verifica que esta indica apenas 9% de risco de desfechos coronarianos duros em 10 anos.
Nesta consulta, é adequado informá-lo que
A
é mais confiável o dado da tabela de Risco Cardiovascular Global da OMS por ter sido desenvolvida a partir do acompanhamento científico de uma coorte contemporânea de pacientes brasileiros.
As tabelas da OMS para a região (América do Sul B) são estimativas generalizadas regionais e não foram feitas a partir de uma coorte estrita apenas de brasileiros contemporâneos (como o estudo ELSA, por exemplo).
B
o ideal seria realizar mais medidas da pressão arterial e nova amostra dos exames laboratoriais para obter um melhor cálculo do risco cardiovascular, postergando recomendações de tratamento para depois disto.
Aguardar novos exames e adiar a instituição do tratamento e mudança de estilo de vida para um paciente fumante com múltiplos fatores pode expor o paciente ao risco não controlado.
C
a diferença de estimativa de prognóstico decorre do cálculo por Framingham levar em consideração também o efeito adicional do IMC elevado e da ingesta etílica, fatores não considerados pela tabela da OMS.
O escore clássico de Framingham de risco coronariano em 10 anos geralmente considera idade, sexo, colesterol total, HDL, PA sistólica, tratamento para hipertensão, fumo e diabetes, mas não IMC e álcool diretamente na fórmula central.
D
o cálculo por Framingham frequentemente superestima o risco por se basear numa amostra menor e de outra etnia que foi obtida em estudos de coorte realizados numa época em que o risco basal de doença cardiovascular era consideravelmente maior do que no Brasil atual.
Alternativa aceita pela banca. Explicação abaixo.
E
pode-se estimar que o risco de desfechos coronarianos duros para ele em 10 anos está entre 9% e 33% e, em qualquer ponto desta faixa, seriam recomendadas as mesmas condutas para prevenção cardiovascular, portanto deve-se discutir já as opções terapêuticas pertinentes, medicamentosas ou não.
As condutas de intervenção não são as mesmas; um risco >20% (alto) pode requerer estatinas potentes imediatas, enquanto <10% (baixo) favorece mais MEV.
Ver Resposta e Comentário
Resposta CorretaD
Comentário
É um dado consolidado pela literatura e diretrizes (como a Diretriz Brasileira de Prevenção Cardiovascular) que o escore de risco de Framingham superestima o risco em populações atuais (incluindo o Brasil), já que sua coorte original é baseada na população de uma pequena cidade dos EUA em meados do século XX, numa época em que a incidência de desfechos cardiovasculares era muito maior.