Questão 58 — Associação Médica do Paraná (AMP) 2026
Clínica MédicaPneumologiaSono e Controle VentilatórioSíndrome de Hipoventilação da Obesidade
J.S.A., 45 anos, técnico em informática, comparece à consulta com queixas de sonolência diurna excessiva, ansiedade e cefaleia cedo pela manhã. A esposa relata que ele ronca alto e tem episódios frequentes de pausas respiratórias durante o sono, seguidos por “engasgos” ou pequenos despertares. O paciente nega dor torácica, febre ou tosse. Os sintomas têm se intensificado nos últimos dois anos. Ele refere que costumava fazer pequenas caminhadas, mas agora se cansa com facilidade, mesmo em atividades leves como subir um lance de escadas ou caminhar no plano por poucos metros. Ele atribui a falta de ar ao “sedentarismo” e ao aumento de peso, que tem sido constante na última década. Ao exame físico apresenta Índice de Massa Corporal (IMC) de 47,4 kg/m², frequência cardíaca: 95 bpm. Frequência respiratória: 20 cpm. Saturação de O₂: 89% em ar ambiente. Pressão arterial: 145/90 mmHg. Em relação ao diagnóstico marque a alternativa correta.
A
No indivíduo sadio, o nível arterial de dióxido de carbono (PaCO2) é mantido entre 27 e 33 mmHg ao nível do mar. Todos os distúrbios de ventilação resultam em alteração nas medições da PaCO2.
Ao nível do mar, o nível de PaCO2 normal em adultos saudáveis situa-se na faixa de 35 a 45 mmHg (frequentemente tido como um valor central de 40 mmHg), e não entre 27 e 33 mmHg.
B
Na síndrome de hipoventilação por obesidade a carga da parede torácica é menor do que a força dos músculos ventilatórios, resultando em uma troca anormal de gases após input neural ser transmitido às bombas musculares da respiração.
Na Síndrome de Hipoventilação da Obesidade a imensa carga elástica imposta pela parede toraco-abdominal excede a força ou a reserva dos músculos ventilatórios, dificultando a adequação ventilatória.
C
A ventilação não invasiva com pressão positiva (VNIPP) noturna tem sido usada com sucesso no tratamento da hipoventilação e das apneias obstrutivas, porém sem sucesso nas hipoventilações de origem central.
A ventilação não invasiva (VNI), através de suporte pressórico (ex: BiPAP), é fundamental e apresenta bons resultados inclusive no suporte de síndromes de hipoventilação central e síndromes de overlap.
D
O diagnóstico mais possível é de síndrome de hipoventilação por obesidade uma vez que o paciente possui IMC > 30 kg/m², sintomas de hipoventilação crônica e evidência de distúrbio respiratório relacionado ao sono.
Alternativa aceita pela banca. Explicação abaixo.
E
As doenças que reduzem a ventilação-minuto ou aumentam o espaço morto podem ser classificadas em quatro categorias principais: doença do parênquima pulmonar e da parede torácica, distúrbio respiratório do sono, doença neuromuscular e cor pulmonale.
O Cor Pulmonale é tipicamente uma consequência hemodinâmica tardia (hipertensão pulmonar cor-direta) da hipóxia crônica induzida por essas doenças. Ele em si não é uma categoria primária de doença redutora de ventilação-minuto.
Ver Resposta e Comentário
Resposta CorretaD
Comentário
A Síndrome de Hipoventilação da Obesidade (SHO ou Síndrome de Pickwick) caracteriza-se pela presença simultânea de obesidade (IMC ≥ 30 kg/m²), retenção diurna de CO2 (PaCO2 ≥ 45 mmHg em vigília), e distúrbios respiratórios do sono (SAOS), não explicada por nenhuma outra causa ventilatória primária. O quadro clínico de sonolência diurna, apneias presenciadas, dispneia e dessaturação matutina em paciente com IMC de 47 corrobora fortemente esse diagnóstico.