Questão 86 — Associação Médica do Paraná (AMP) 2026
Clínica MédicaPsiquiatriaTranstorno Depressivo Maior
Sobre abordagem de sintomas de tristeza e depressão da Atenção Primária à Saúde, marque a alternativa correta:
A
Se o paciente tem histórico de já ter utilizado um fármaco no passado, esse fármaco não deve ser usado em caso de novo episódio depressivo.
Ao reverter quadros novos, os antidepressivos que o indivíduo demonstrou previamente suportar e extrair boa resposta clínica constituem-se frequentemente as grandes indicações de escolha terapêutica atual.
B
Durante a gestação, deve-se abordar os sintomas apenas com medidas não medicamentosas, pois não existe fármaco seguro para uso nesse período.
Embora a primeira conduta priorize formas menos invasivas em quadros leves, depressões sintomáticas moderadas a graves recomendam e avalizam com bastante solidez o emprego de substâncias amplamente testadas no período perinatal como a Sertralina.
C
Terapias não medicamentosas, como psicoterapia e atividade física, não têm impacto relevante em quadros de depressão confirmada de grau moderado.
As diretrizes demonstram consistentes melhoras de alto nível em desfechos vitais por intermédio das modalidades cognitivo-comportamentais combinadas com atividade física rotineira mesmo em estados moderados.
D
Medicamentos antidepressivos não mostraram vantagens de eficácia na comparação com placebo se usados para pessoas com depressão unipolar leve.
Alternativa aceita pela banca. Explicação abaixo.
E
A abordagem do risco de suicídio não deve ser realizada na Atenção Primária, devendo ser feita exclusivamente em ambientes de internamento, pois não há instrumentos validados para a realização desta abordagem.
A abordagem aberta para descartar de maneira estruturada a ideação de risco autoexterminadora faz parte mandatória de toda intervenção empática a portas abertas na APS perante suspeitas de quadros graves.
Ver Resposta e Comentário
Resposta CorretaD
Comentário
Na prática clínica contemporânea e nas diretrizes vigentes, casos configurados como um Transtorno Depressivo Maior do tipo Leve (que impacta levemente o cotidiano mas mantém boa funcionalidade) possuem uma resposta substancial aos tratamentos placebo-controlados, indicando que, salvo raríssimos casos limítrofes, os fármacos antidepressivos não geram vantagens ou eficácia superadora nestes quadros de sintomatologia suave. Nessas situações se preconiza com força a 'espera vigiada' (monitoramento ativo do curso natural em contatos regulares) combinada à recomendação de melhora de estilo de vida em associação ou não à modalidade psicoterápica especializada. Em caso de estagnação prolongada e deterioração aos graus mais moderados, a medicação deve ser prescrita pela APS.