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ENARE 2026 R3 Clínica Médica

Questão 61 — ENARE 2026 R3 Clínica Médica

Clínica Médica Infectologia Infecções do Trato Urinário
Mulher de 58 anos foi internada para investigação de paraplegia em 72 horas de evolução, associada à perda urinária... Apresentava histórico de câncer de mama em tratamento quimioterápico por doença metastática óssea e pleural. Relatou febre de 38,5 °C na véspera e cansaço há 5 dias. O exame físico demonstrava nível sensitivo em altura da 4ª vértebra torácica, redução da sensibilidade vibratória e propioceptiva e paraparesia espástica com sinais piramidais em ambos os membros inferiores. Havia dor em palpação de coluna torácica alta e presença de massa em topografia pélvica. Ao realizar a passagem de cateter vesical de demora, percebeu-se saída de aproximadamente 1l de urina turva. O exame laboratorial de urgência demonstrou anemia normocítica e normocrômica, leucocitose com desvio e PCR ultrassensível elevada. Não havia alterações na bioquímica como disfunção renal ou hepática. Foram coletadas hemoculturas, pesquisa de elementos anormais urinários e urinocultura. Sobre a abordagem desse quadro, é correto afirmar que
A a urinálise sem piúria é comum, devendo-se pesquisar germes para uretrite.
B não havendo sinais de sepse ou complicações como piora da função renal, dor no flanco ou pélvica, a paciente pode fazer o tratamento com antibiótico oral.
C o ultrassom de abdome e vias urinárias pode detectar com maior precisão complicações renais.
D será necessária a internação hospitalar com antibiótico parenteral e investigação com tomografia de abdome com contraste.
E deve se ministrar ceftriaxona 1g intravenoso, hidratação, analgesia e observação por 12h, propondo continuidade do tratamento em domicilio.
Ver Resposta e Comentário
Resposta Correta D
Comentário
A paciente oncológica e imunossuprimida apresenta febre, leucocitose, urina turva em grande volume após cateterização e provável disfunção do esvaziamento vesical. Esse conjunto caracteriza infecção urinária complicada com risco de obstrução e disseminação. A massa pélvica, a retenção urinária e o estado sistêmico justificam internação, antibioticoterapia parenteral após coleta das culturas e investigação anatômica. A tomografia contrastada do abdome permite pesquisar pielonefrite complicada, abscesso, obstrução, hidronefrose e relação com a massa descrita, com maior abrangência que o ultrassom. Tratamento oral ou observação por apenas 12 horas seriam inadequados nesse contexto. Paralelamente, o déficit neurológico torácico exige investigação urgente própria, mas não reduz a necessidade de tratar e estadiar a provável infecção urinária complicada.
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