PediatriaEndocrinologia PediátricaPuberdade e Diferenciação SexualAtraso Puberal
Adolescente, pardo, 13 anos e 8 meses, está preocupado por ser mais baixo que os colegas. Nasceu a termo, sem intercorrências (perinatais e saudável até o momento. Pai 1,72m, "cresceu tarde", com estatura final aos 18 anos. Mãe 1,60 m. Exame físico: Peso 42 kg, Estatura 1,48 m (percentil < 3 para idade) velocidade de crescimento 5,2 cm/ano; testiculos 9 mL bilateralmente (orquidômetro de Prader), esparsos pelos pubianos e finos, localizados principalmente na base do pênis, ausência de pelos axilares e de pelos faciais. Idade óssea (radiografia dos punhos) 11,5 anos. Laboratório: IGF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1) normal para idade óssea; TSH (hormônio estimulante da tireoide) e T4 livre normais; hemograma e bioquímica sérica normais. Considerando esses dados, assinale a opção correta sobre o estágio de Tanner, o diagnóstico mais provável e a orientação na conduta.
A
G3/P2. O diagnóstico mais provável é atraso constitucional do crescimento, variante fisiológica mais comum do atraso puberal em meninos. A conduta é seguimento clínico e da velocidade de crescimento e tranquilizar a familia pois estatura alvo é favorável.
Correta. Testículos de 9 mL e pelos pubianos esparsos são compatíveis com G3/P2, e história familiar, idade óssea atrasada e crescimento preservado sugerem atraso constitucional.
B
G2 / P2. O diagnóstico mais provável é deficiência do hormônio do crescimento (GH). A conduta indicada é a dosagem do GH basal, início imediato de reposição hormonal com somatotropina e atividade física regular.
IGF-1 normal para idade óssea e velocidade de crescimento preservada não sustentam deficiência de GH; GH basal isolado também não diagnostica essa condição.
C
G2/P1. O diagnóstico mais provável é hipogonadismo hipogonadotrófico, pela idade óssea atrasada > 2 anos em relação à cronológica. A conduta é a realização de teste de estimulação com GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas) para confirmação diagnóstica.
Idade óssea atrasada isoladamente não confirma hipogonadismo hipogonadotrófico; há sinais de progressão puberal espontânea.
D
G3/P2. O diagnóstico mais provável é puberdade tardia secundária a doença sistêmica crônica. A conduta é a realização de rastreio de anemia, função renal, distúrbios metabólicos, doença celíaca e doença inflamatória intestinal, antes de qualquer investigação endócrina.
Não há evidências clínicas ou laboratoriais de doença sistêmica crônica, e a história familiar favorece variante constitucional.
E
G4/P3. A janela diagnóstica foi perdida visto estar em estágio avançado da puberdade. Não há indicação para investigação adicional de imagem e laboratorial para baixa estatura, cabendo orientação familiar e decisão compartilhada sobre avaliação especializada.
O adolescente não está em G4/P3 e ainda merece acompanhamento de crescimento/puberdade; não existe “janela diagnóstica perdida”.
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Resposta CorretaA
Comentário
O adolescente tem testículos de 9 mL, compatíveis com progressão puberal, pelos pubianos esparsos e idade óssea atrasada em relação à cronológica. A velocidade de crescimento está preservada, IGF-1 é normal para idade óssea e há história paterna de maturação tardia, conjunto típico de atraso constitucional do crescimento e puberdade. O padrão é G3/P2 na classificação proposta. Em geral, a conduta é acompanhamento da velocidade de crescimento e evolução puberal, com tranquilização da família e reavaliação se a progressão não ocorrer.