PediatriaTerapia Intensiva PediátricaSuporte ao Paciente Pediátrico Crítico
Lactente, 8 meses, internado na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica de um hospital universitário há 14 dias, evolui com choque séptico refratário, disfunção de múltiplos órgãos e sinais clínicos e eletroencefalográficos de morte encefálica. Ele está acompanhado por sua mãe. O intensivista responsável conversa com os internos e residentes sobre o desfecho. Considerando o quadro e a importância da comunicação à família, a forma que o médico intensivista responsável deve adotar durante o processo, dentre as opções abaixo, é:
A
convidar a família a sentar na sala de reuniões e iniciar a comunicação informando o estado de morte encefálica de maneira objetiva, otimizando o tempo da família, evitando falsas expectativas e ao final indagar sobre dúvidas.
Ser objetivo é importante, mas iniciar abruptamente pela morte encefálica sem avaliar compreensão e ritmo da família prejudica uma comunicação centrada na pessoa.
B
convidar a família para conversa, em sala reservada, avaliar compreensão sobre a gravidade, explicar o quadro evolutivo, informar plano de cuidado atual, no ritmo de assimilação da família, dando espaço para dúvidas e legítimando as reações.
Correta. Ambiente reservado, avaliação da compreensão, explicação gradual, espaço para dúvidas e validação emocional são princípios adequados.
C
informar ao médico residente sobre a responsabilidade de transmitir notícias difíceis como aprendizagem e solicitar que ele exerça essa habilidade, informando aos familiares sobre o estado da criança e em caso de dúvida o chame.
A comunicação principal deve ser conduzida pelo médico responsável ou por profissional experiente, com participação supervisionada do residente.
D
reunir família com equipe responsável pelo cuidado, em roda de conversa, detalhar os escores de gravidade e medidas adotadas com base científica, permitir que todos emitam suas impressões mitigando questões éticas e emocionais.
Detalhar escores e evidências em excesso não substitui comunicação empática e adaptada às necessidades da família.
E
conversar com a responsável junto ao paciente, dando conforto, informar gravidade do quadro, medidas que foram adotadas, legitimar esperança para o quadro, reforçar que há crianças tão ou mais graves internadas e que não está sozinha.
Comparar com outras crianças e sustentar esperança não realista pode invalidar o sofrimento e comprometer a confiança.
Ver Resposta e Comentário
Resposta CorretaB
Comentário
Comunicação de más notícias em terapia intensiva pediátrica deve ser realizada em ambiente reservado, com linguagem clara, empatia e respeito ao ritmo de compreensão da família. É importante primeiro avaliar o que os familiares entendem sobre a situação, explicar a evolução e o plano de cuidado, permitir perguntas e legitimar as reações emocionais. A responsabilidade não deve ser delegada a um residente sem supervisão. Excesso de dados técnicos, comparação com outros pacientes ou criação artificial de esperança prejudicam a comunicação.