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IAMSPE 2025

Questão 30 — IAMSPE 2025

Cirurgia Geral Cirurgia do Aparelho Digestivo Esôfago
Paciente feminina, 21 anos, após confraternização de fim de ano, apresenta sensação de alimento preso na garganta, odinofagia, sialorréia, regurgitação e náuseas (sem vômito). Compareceu ao pronto-socorro onde realizou exames laboratoriais e de imagem.
Exames laboratoriais: Hemoglobina 11,1 g/dL, Leucócitos 6.730/mm³, Plaquetas 151.000/mm³, PCR 1,23 mg/L (VR<1,0), Creatinina 0,65 mg/dL, Ureia 24 mg/dL, Sódio 139 mEq/L, Potássio 4,0 mEq/L, Bilirrubina Total 0,23 mg/dL, Amilase 62 U/L, INR1,14.
Endoscopia laudava esôfago com mucosa conservada até 20cm da ADS com laceração profunda onde encontra-se corpo estranho impactado. Retirado com auxílio de Roth Net sem intercorrências.
Realizada também tomografia computadorizada de pescoço. Vide imagens abaixo.
Imagem da Questão 30
Qual deve ser a conduta imediata?
A NPO (nada por via oral), hidratação venosa, antibioticoterapia endovenosa, internação e avaliação para reintervenção endoscópica ou cirúrgica conforme evolução.
B Realizar esofagograma com contraste hidrossolúvel imediatamente para avaliar a extensão da lesão.
C Passagem de sonda nasogástrica e lavagem com soro fisiológico para limpar o esôfago.
D Alta com analgesia e antibiótico, com orientação de retorno caso haja piora dos sintomas.
E Encaminhar imediatamente para cirurgia para reparo esofágico primário, considerando o risco de mediastinite.
Ver Resposta e Comentário
Resposta Correta A
Comentário

Alternativa Correta: A.

A endoscopia descreveu corpo estranho impactado com laceração esofágica profunda após sua retirada. Na montagem fornecida, os quadros endoscópicos mostram a lesão mucosa, enquanto a tomografia cervical mostra gás em planos cervicais profundos. Esse conjunto exige suspeitar de perfuração ou lesão transmural, ainda que a extensão não seja completamente definida pelas imagens isoladas.

A prioridade é impedir nova passagem de conteúdo pelo esôfago, manter jejum absoluto, oferecer hidratação venosa e antibioticoterapia endovenosa, e internar para acompanhamento e decisão especializada sobre eventual reintervenção endoscópica ou cirurgia. Exames adicionais, inclusive estudo contrastado hidrossolúvel, podem ser usados para delimitar a lesão após as medidas iniciais, conforme estabilidade e avaliação da equipe. Passar sonda e lavar um esôfago lesionado pode ampliar o dano. Alta precoce expõe a paciente a infecção cervical ou mediastinal; cirurgia imediata para todo caso também não se justifica sem definir extensão e evolução.

Análise das alternativas:

  • A: Reúne proteção da via digestiva, suporte, antibiótico e observação hospitalar com avaliação de intervenção.
  • B: Pode integrar a investigação, mas não deve adiar as medidas iniciais e a internação.
  • C: Sonda e lavagem podem agravar a laceração.
  • D: A lesão profunda e o gás cervical tornam a alta insegura.
  • E: O reparo cirúrgico depende da avaliação da lesão e da evolução, sem indicação automática imediata.

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