Clínica MédicaNefrologiaDistúrbios Hidroeletrolíticos e Ácido-Base
A hipocalemia é um distúrbio hidroeletrolítico comum e potencialmente fatal quando grave. Um número significativo de pacientes candidatos à cirurgia apresenta essa condição clínica e o diagnóstico e a conduta apropriada são fundamentais para a boa evolução clínica do paciente. Em relação aos pacientes com hipocalemia é CORRETO afirmar:
A
A correção intravenosa da hipocalemia deve ser feita geralmente com uma taxa de 40-60 mmol/hora.
A reposição endovenosa de potássio deve ser feita de forma muito cautelosa, e as diretrizes recomendam uma velocidade máxima habitual de infusão de 10 a 20 mEq/h para não causar hipercalemia iatrogênica e arritmias ventriculares refratárias.
B
A hipermagnesemia crônica é responsável por cerca de 40% dos casos de hipocalemia refratária ao tratamento.
A hipocalemia refratária à reposição possui forte relação com a hipomagnesemia e não com a hipermagnesemia. É fundamental corrigir o magnésio para conseguir equilibrar o potássio, que continuará se perdendo pelos rins enquanto houver deficiência de magnésio.
C
A hipocalemia causa infradesnivelamento do segmento ST, depressão da onda T e o aparecimento da onda U.
Alternativa aceita pela banca. Explicação abaixo.
D
Dosagem de potássio urinário < 20mEq/L sugere etiologia renal como causa da hipocalemia.
Um potássio urinário reduzido (K+ < 20 mEq/L ou K+ < 20 mEq/dia) demonstra que os rins estão poupando potássio, sugerindo que a origem da perda do eletrólito é extrarrenal (como em diarreias).
Ver Resposta e Comentário
Resposta CorretaC
Comentário
A hipocalemia severa manifesta-se primeiramente com sinais neuromusculares (como fraqueza, que pode ir até a paralisia e insuficiência respiratória) e cardiovasculares. O traçado eletrocardiográfico deve ser estritamente avaliado nesses quadros, onde classicamente encontra-se o alargamento do intervalo QT (aparente), achatamento ou depressão da onda T, infradesnivelamento do segmento ST, e o surgimento das ondas U, que são proeminentes desvios positivos visualizados principalmente nas derivações precordiais após a onda T, denotando repolarização tardia das células de Purkinje.
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