Criança de 5 anos e 6 meses compareceu à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina em Pediatria. A mãe se mostra preocupada com a alimentação da criança, pois esta se baseia em poucos alimentos, a saber: arroz, batata, macarrão e carne de frango ou ovo. Não aceita outros legumes, verduras ou quaisquer frutas. Gosta de doces e salgadinhos industrializados. Hoje, na avaliação pôndero estatural, tem peso de 29Kg (Escore-Z no gráfico da Organização Mundial de Saúde - OMS - entre + 2 e +3) e estatura 116cm (Escore-Z no gráfico da OMS entre 0 e +1) e IMC de 21,5 (Escore-Z no gráfico da OMS =3). Diante do caso apresentado e considerando os distúrbios nutricionais na infância, é CORRETO afirmar que:
A
A avaliação pôndero estatural nos indica que a intervenção deve ser baseada em restringir os carboidratos na alimentação até que ocorra a perda de peso para o escore-Z zero esperado para a idade.
Não se recomenda dietas restritivas radicais ou focar exclusivamente em perda de peso drástica até o escore Z zero; a meta é a manutenção do peso para que a criança 'cresça' dentro do peso, ou perda gradual associada à mudança de estilo de vida, além do fato de que dietas restritivas podem piorar o comportamento alimentar.
B
A seletividade alimentar apresentada pelo paciente justifica a conduta de iniciar a reposição medicamentosa de ferro, vitamina A e vitamina D.
A suplementação medicamentosa de rotina para ferro e vitaminas não substitui a necessidade de adequação alimentar e educação nutricional. As deficiências devem ser investigadas antes da suplementação terapêutica ampla, exceto nas profilaxias recomendadas pelas diretrizes (que para vitamina A e ferro já não se aplicam nessa faixa etária de forma universal).
C
O diagnóstico de obesidade grave torna necessário a recomendação de prática de atividades físicas, bem como avaliação laboratorial de perfil lipídico e glicêmico.
Alternativa aceita pela banca. Explicação abaixo.
D
O transtorno alimentar restritivo evitativo é diagnóstico provável nesse caso, sendo importante a avaliação laboratorial de anemia ferropriva e deficiência de oligoelementos.
A criança tem ganho de peso excessivo (obesidade grave). O transtorno alimentar restritivo evitativo (TARE) costuma ser acompanhado de perda de peso, falha no ganho de peso adequado ou deficiências nutricionais importantes que interferem no funcionamento psicossocial, e não tipicamente obesidade por consumo de doces e salgadinhos.
Ver Resposta e Comentário
Resposta CorretaC
Comentário
A criança apresenta IMC com Escore-Z +3, o que configura obesidade grave (para > 5 anos, escore Z > +2 é obesidade e > +3 é obesidade grave). Nesses casos, está indicada a mudança no estilo de vida, incluindo recomendação de atividade física e reeducação alimentar, além da triagem para comorbidades metabólicas através de avaliação laboratorial (perfil lipídico, glicemia de jejum, etc.).
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