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SMS-Curitiba 2027 (FEAS) — gabarito preliminar

Questão 1 — SMS-Curitiba 2027 (FEAS) — gabarito preliminar

Clínica Médica Endocrinologia e Metabologia Gônadas e Diferenciação Sexual
Homem de 49 anos, 108 kg, 1,74 m de altura, IMC 35,7 kg/m², diabetes mellitus tipo 2 e circunferência abdominal de 118 cm refere redução de libido e menor frequência de ereções matinais há 9 meses. Traz testosterona total de 292 ng/dL e 301 ng/dL, colhidas em duas manhãs distintas, em jejum. A globulina ligadora dos hormônios sexuais (SHBG) é de 14 nmol/L, abaixo da faixa de referência, e a albumina sérica é normal. Considerando o Posicionamento conjunto da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e da Associação Brasileira de Medicina e Saúde Sexual (ABEMSS) de 2026, qual é a abordagem diagnóstica mais apropriada?
A Confirmar deficiência de testosterona pelos valores totais abaixo de 350 ng/dL dosados corretamente, em dias diferentes e em jejum.
B Repetir testosterona total em duas coletas vespertinas seriadas para avaliar amplitude circadiana da secreção androgênica.
C Definir hipogonadismo funcional pelos valores totais limítrofes, integrando sintomas sexuais e coletas matinais em jejum.
D Utilizar testosterona total, globulina ligadora dos hormônios sexuais e albumina para calcular a testosterona livre pela fórmula de Vermeulen.
Ver Resposta e Comentário
Resposta Correta D
Comentário

Alternativa D. O paciente tem sintomas sexuais compatíveis com deficiência androgênica, porém a testosterona total está em faixa limítrofe e a SHBG está reduzida, situação frequente em obesidade e resistência insulínica. Quando a concentração de SHBG está alterada, a testosterona total pode não refletir adequadamente a fração biologicamente disponível.

Nesse cenário, a abordagem mais apropriada é integrar as dosagens matinais já corretamente obtidas com SHBG e albumina e calcular a testosterona livre por método validado, como a fórmula de Vermeulen. Não se deve confirmar hipogonadismo apenas por um ponto de corte arbitrário de testosterona total, nem recorrer a coletas vespertinas. O diagnóstico exige correlação entre quadro clínico e avaliação hormonal confiável.

Análise das alternativas:

  • A: A testosterona total pode subestimar a androgenemia quando a SHBG está reduzida; o ponto de corte isolado não confirma deficiência neste caso.
  • B: A investigação deve usar amostras matinais; coletas vespertinas sofrem influência do ritmo circadiano e não são o método confirmatório indicado.
  • C: Sintomas e testosterona total limítrofe não bastam para definir hipogonadismo quando a SHBG está baixa; é preciso estimar a fração livre.
  • D: Com testosterona total limítrofe e SHBG baixa, o cálculo da testosterona livre com testosterona total, SHBG e albumina refina o diagnóstico.

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