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UNESP 2026

Questão 60 — UNESP 2026

Clínica Médica Infectologia Dengue

Mulher de 21 anos de idade apresenta febre há três dias, mialgia intensa, vômitos persistentes, tontura ao se levantar e dor abdominal difusa. Está em uso de dipirona e ibuprofeno desde o primeiro dia de sintomas. Exame físico: PA: 100 × 60 mmHg; FC: 110 bpm; extremidades frias, tempo de enchimento capilar de 4 segundos, sem sangramentos. Exames laboratoriais: plaquetas: 142.000/mm³, hematócrito normal, função renal preservada. O médico prescreve sintomáticos, reforça a hidratação oral e libera a paciente com orientação para retorno se houver piora. No dia seguinte, ela retorna em estado de choque, sendo internada em UTI com diagnóstico de dengue grave.

Pode-se afirmar que

A o quadro clínico já preenchia critérios para dengue com sinais de alarme, apesar da ausência de plaquetopenia, e a conduta adequada seria hidratação venosa e observação hospitalar.
B a utilização de anti-inflamatórios pode ter contribuído para o desfecho, mas a ausência de sinais hemorrágicos ou elevação do hematócrito afastava a necessidade de internação.
C a conduta de hidratação oral e orientação para retorno foi apropriada, considerando que a paciente ainda se encontrava na fase febril da doença.
D o quadro inicial era compatível com infecção viral autolimitada, como chikungunya ou zika, sendo a evolução desfavorável pouco relacionada à conduta adotada.
Ver Resposta e Comentário
Resposta Correta A
Comentário

Alternativa correta: A. A paciente já apresentava sinais de alarme na primeira avaliação — vômitos persistentes, dor abdominal e tontura postural — e não poderia ter recebido alta. Além disso, taquicardia, extremidades frias e enchimento capilar de 4 segundos são sinais de hipoperfusão e caracterizam choque compensado, portanto dengue grave (Grupo D), mesmo sem hipotensão franca, sangramento, plaquetopenia ou elevação do hematócrito.

A conduta adequada seria expansão volêmica intravenosa imediata, monitorização contínua e encaminhamento para atendimento hospitalar de emergência/UTI. No Grupo D, o Ministério da Saúde recomenda inicialmente soro fisiológico a 0,9% na dose de 20 mL/kg em até 20 minutos, com reavaliações frequentes. A alternativa A é a melhor disponível porque reconhece que a alta e a hidratação oral eram inadequadas, embora a expressão “dengue com sinais de alarme” e a simples “observação hospitalar” subestimem os sinais de choque já presentes. O ibuprofeno também era contraindicado pelo risco de sangramento.

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