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UNIFESP 2020

Questão 86 — UNIFESP 2020

Medicina Preventiva Vigilância em Saúde Vigilância de Doenças Transmissíveis

Há diferentes possibilidades de se interromper a cadeia de transmissão de uma doença transmissível, podendo-se agir sobre: (1) a fonte de infecção, (2) a via de transmissão ou (3) o novo hospedeiro. Considerando essa ordenação (1 – 2 – 3), aponte a alternativa em que as doenças estão corretamente relacionadas à sua mais importante possibilidade de controle

A Rubéola – Cólera – Febre amarela
B Leishmaniose visceral – Tétano acidental – Poliomielite
C Leptospirose – Febre amarela – Cólera
D Dengue – Rubéola – Tuberculose
E Tuberculose – Dengue – Tétano acidental
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Resposta Correta E
Comentário

Alternativa Correta: E.

Fundamentos da Cadeia Epidemiológica de Transmissão:

A cadeia de transmissão das doenças infecciosas compreende os elos sucessivos e interdependentes necessários para a sobrevivência, disseminação e infecção de um agente patogênico na coletividade. O controle e o bloqueio epidemiológico de um agravo transmissível dependem de intervenções direcionadas ao elo mais vulnerável da cadeia:

  1. Fonte de Infecção / Reservatório: O habitat natural onde o microrganismo reside, reproduz-se e sobrevive (pode ser o ser humano doente ou portador são, animais reservatórios ou reservatórios ambientais).
  2. Via de Transmissão: O mecanismo ou percurso empregado pelo agente para sair da fonte e atingir o indivíduo receptivo (contato direto respiratório, gotículas/aerossóis, água e alimentos contaminados, fômites ou vetores biológicos).
  3. Novo Hospedeiro Suscetível: Indivíduo cuja imunidade basal permite a penetração, adesão e proliferação do patógeno com eventual desenvolvimento da doença.

Correspondência Ordenada da Alternativa E (1 – 2 – 3):

  • (1) Ação sobre a Fonte de Infecção $ ightarrow$ Tuberculose:
    Na tuberculose pulmonar bacilífera, o doente com tosse produtiva emitindo bacilos álcool-ácido resistentes (*Mycobacterium tuberculosis*) em aerossóis constitui o reservatório humano e a fonte ativa de contágio comunitário. A medida de controle epidemiológico mais efetiva e estruturante preconizada pelo Ministério da Saúde e pela OMS para quebrar a transmissão é a identificação precoce do sintomático respiratório e o início imediato da quimioterapia antimicrobiana (esquema RIPE). Em 2 a 3 semanas de tratamento adequado, a carga bacilar nas vias aéreas reduz-se drasticamente, negativando a baciloscopia e esterilizando a fonte de infecção.
  • (2) Ação sobre a Via de Transmissão $ ightarrow$ Dengue:
    A transmissão dos sorotipos do vírus do dengue (DENV) ocorre pela picada do mosquito vetor fêmea *Aedes aegypti*. Não havendo transmissão aérea inter-humana direta, a intervenção primordial e histórica de controle sanitário consiste na eliminação dos criadouros do mosquito, controle químico com larvicidas/inseticidas, instalação de telas protetoras e saneamento ambiental, atuando diretamente no bloqueio do vetor e da via de propagação.
  • (3) Ação sobre o Novo Hospedeiro $ ightarrow$ Tétano Acidental:
    Os esporos de *Clostridium tetani* são telúricos e onipresentes na natureza (solo, areia, fezes de animais, poeira e objetos oxidados). Sendo impossível eliminar a fonte ambiental do patógeno ou extinguir as soluções de continuidade cutâneas e ferimentos acidentais (via de entrada), a única e indispensável forma de prevenir a doença é tornando o hospedeiro imune por meio da imunização ativa com a vacina antitetânica (toxoide tetânico contido na Pentavalente, DTP, dTpa ou dT), garantindo a produção de anticorpos protetores neutralizantes no indivíduo suscetível.

Análise dos Distratores:

  • Alternativa A (Incorreta): A rubéola e a febre amarela têm como medida de controle prioritária a vacinação no novo hospedeiro suscetível; a cólera controla-se primariamente na via de transmissão (saneamento, cloração e distribuição de água tratada). A sequência não respeita a ordenação 1 – 2 – 3.
  • Alternativa B (Incorreta): O tétano atua no hospedeiro e a poliomielite também no hospedeiro (imunização oral/injetável VIP/VOP), desobedecendo a sequência lógica proposta.
  • Alternativa C (Incorreta): A cólera atua na via de transmissão (água e alimentos contaminados), e não primariamente no novo hospedeiro.
  • Alternativa D (Incorreta): A dengue atua na via (2), a rubéola no hospedeiro (3) e a tuberculose na fonte (1), apresentando a ordenação completamente invertida (2 – 3 – 1).

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