Questão 11 — UNIFESP 2021
Gestante de 26 semanas apresenta episódio não primário de herpes genital observado em consulta de prénatal. A conduta neste caso, para evitar a transmissão vertical é:
Ver Resposta e Comentário
Alternativa Correta: B.
A infecção pelo vírus herpes simples (HSV-1 e HSV-2) durante a gestação apresenta risco relevante de transmissão vertical intraparto, ocorrendo principalmente pela passagem do feto pelo canal de parto colonizado ou em vigência de rotura de membranas ovulares. O risco de transmissão neonatal é expressivamente maior em episódios primários no terceiro trimestre (30% a 50%), mas permanece clinicamente significativo em episódios recorrentes ou não primários (1% a 3%), podendo culminar em herpes neonatal grave com encefalite, infecção disseminada e sequelas neurológicas permanentes.
Manejo Clínico e Profilaxia Supressiva:
Diante de um episódio clínico documentado durante o pré-natal (como neste caso com 26 semanas de gestação), a conduta preconizada pelo Ministério da Saúde, FEBRASGO, ACOG e RCOG consiste em:
- Tratamento da fase aguda: Prescrição imediata de aciclovir oral (400 mg, via oral, 3 vezes ao dia, por 5 dias para episódios recorrentes, ou por 7 a 10 dias em primo-infecção), visando acelerar a cicatrização das úlceras e encurtar o período de excreção viral ativa;
- Terapia antiviral supressiva (quimioprofilaxia de termo): Início de profilaxia supressiva com aciclovir (400 mg, via oral, 3 vezes ao dia, ou 200 mg 4 vezes ao dia) ou valaciclovir (500 mg, via oral, 2 vezes ao dia) a partir da 36ª semana de idade gestacional, mantida continuamente até o momento do parto. O objetivo primordial dessa conduta é suprimir a reativação viral subclínica, prevenir o surgimento de lesões herpéticas ativas no termo e reduzir drasticamente a necessidade de parto cesáreo por indicação infecciosa;
- Via de parto: Se no início do trabalho de parto ou rotura das membranas a paciente estiver assintomática e sem lesões genitais ativas, o parto vaginal está plenamente autorizado. A realização de cesariana reserva-se aos casos com lesões herpéticas ativas ou sintomas prodrômicos típicos (queimação, dor ou prurido vulvar) no momento da admissão.
Análise dos distratores:
- A. Realizar profilaxia a partir de 28 semanas: Incorreta, pois antecipar a profilaxia supressiva para a 28ª semana exporia desnecessariamente o concepto a um curso prolongado de antivirais sem demonstrar benefício clínico adicional em relação ao protocolo validado que preconiza o início na 36ª semana.
- C. Realizar profilaxia se houver segundo episódio na gestação: Incorreta, pois a ocorrência de qualquer episódio clínico ativo durante a gravidez (mesmo sendo episódio único) já constitui indicação formal para a introdução da profilaxia supressiva com 36 semanas.
- D. Tratar episódio atual e não realizar profilaxia: Incorreta, pois omitir a terapia antiviral supressiva no termo deixa a parturiente sob risco de reativação subclínica ou novas lesões herpéticas no trabalho de parto, elevando a taxa de cesarianas evitáveis e a morbimortalidade por transmissão vertical do HSV.
Domine as provas de Residência.
Tenha acesso a milhares de questões focadas em Residência Médica e Revalida, simulados ilimitados e estatísticas de desempenho.
Ver Planos PROEstratégia Med
Buscando cursos em vídeo? Garanta 10% de desconto no Estratégia Med.