Questão 42 — Associação Médica do Paraná (AMP) 2026
Clínica MédicaEndocrinologia e MetabologiaMetabolismo Ósseo e MineralOsteoporose
Sr. Clodoaldo, 65 anos, conseguiu finalmente reduzir a massa gordurosa em 5 kg, com dieta, prática de Pilates e uso de GLP1ar. Vem a consulta relatando que iniciou com dor em coluna lombar há 2 dias, após empurrar armário na limpeza da casa. Você solicita a ressonância magnética de coluna lombossacra e identifica a presença de fratura de L4. Os exames laboratoriais que realizou há 1 mês não sugerem presença de doença secundária e a densitometria óssea que realizou há 6 meses mostrou escore T em coluna lombar ( L1 - L4) de -1,5 e de fêmur total de -0,5: Qual proposta abaixo se correlaciona ao melhor tratamento neste momento?
A
Iniciar bisfosfonados orais como o alendronato (70 mg/semana) ou risedronato (35 mg/sem) cujos estudos na população masculina mostrou redução do risco de fraturas vertebrais e não vertebrais em até 70 %.
Embora o alendronato e risedronato reduzam fraturas, a redução de risco de fraturas não-vertebrais no homem não chega a 70%. Além disso, não é a melhor proposta comparada à evidência de mortalidade de outras intervenções em cenários específicos.
B
Suplementar com cálcio (1000 a 1200 mg /dia) e colecalciferol 50 mil UI semanal por 8 semanas e depois manter 15.000 UI semanais de maneira contínua com previsão de redução do risco de fraturas vertebrais em 20 a 30 %.
Apenas a suplementação de cálcio e vitamina D não é tratamento suficiente para um paciente que já apresenta fratura por fragilidade óssea (osteoporose estabelecida clinicamente), necessitando de terapia farmacológica ativa.
C
Prescrever o denosumabe (60 mg/semestral) cujos estudos de 3 anos mostraram reduzir as fraturas vertebrais em 70%, com aumento da massa óssea e redução da ocorrência de fraturas atípicas e de osteonecrose de mandíbula.
Embora o denosumabe seja eficaz e reduza em cerca de 68% o risco de fraturas vertebrais, ele não 'reduz a ocorrência' de osteonecrose de mandíbula ou fraturas atípicas; pelo contrário, são efeitos adversos raros associados ao seu uso prolongado (antirreabsortivo).
D
Introduzir calcitonina nasal (200 mg/d) que suprime a atividade osteoclástica pela ação direta sobre o receptor da calcitonina nos osteoclastos, reduz a dor, com previsão de redução de risco de fraturas vertebrais e de quadril em até 40 %.
A calcitonina até possui efeito analgésico na fratura vertebral aguda, mas apresenta fraca redução de fraturas (cerca de 33% para vertebrais e sem evidência robusta para quadril). Hoje é considerada terapia de terceira linha para osteoporose.
E
Administrar anualmente o ácido zoledrônico, que embora esteja correlacionado a ocorrência de osteonecrose de mandíbula em pacientes sob tratamento antineoplásico, reduziu o risco de fraturas vertebrais em 70% e mostrou uma redução de 28% na mortalidade.
Alternativa aceita pela banca. Explicação abaixo.
Ver Resposta e Comentário
Resposta CorretaE
Comentário
O paciente apresenta osteopenia densitométrica (T-score -1,5), porém com ocorrência de fratura vertebral por trauma de baixo impacto (empurrar móvel), o que define o diagnóstico de osteoporose clínica (ou osteoporose grave/estabelecida). O ácido zoledrônico é um bisfosfonato intravenoso anual potente. O estudo HORIZON demonstrou que ele reduz o risco de fraturas vertebrais em cerca de 70% e, além disso, no braço de pacientes que iniciaram o tratamento após fratura de quadril, houve uma redução significativa de mortalidade por todas as causas em 28%, destacando-se como excelente proposta terapêutica em cenários de osteoporose grave.