Questão 43 — Associação Médica do Paraná (AMP) 2026
Clínica MédicaEndocrinologia e MetabologiaDislipidemiasTratamento das Dislipidemias
Erica, 42 anos, diabética e hipertensa bem controlada há 2 anos, em uso de anticoncepcional oral contínuo, assintomática, traz exames de rotina: colesterol= 230mg/dL; HDL colesterol= 31mg/dL; triglicerídios= 125 mg/dL; glicemia de jejum= 102 mg/dl; TSH= 1,5 UI/mL; HA1C=6,4; ácido úrico= 4,5mg/dL; vitamina D= 30 ng/mL. Qual atitude medicamentosa seria mais adequada nesta consulta?
A
Considerar terapia com estatina de intensidade alta para obter níveis de colesterol LDL < 70 mg/d.
Embora as diretrizes brasileiras possam ser mais rígidas, no paciente diabético sem doença aterosclerótica cardiovascular (ASCVD) estabelecida, com menos de 10 anos de doença ou sem múltiplos outros fatores estratificadores, a meta não costuma ser < 70 mg/dL obrigatoriamente logo de início (uma meta primária é < 100 mg/dL), de modo que estatina de intensidade moderada já atingiria o alvo recomendado.
B
Considerar terapia com estatina de intensidade moderada para obter níveis de colesterol LDL < 100 mg/dL.
Alternativa aceita pela banca. Explicação abaixo.
C
Considerar terapia com estatina de intensidade alta, associada a ezetimiba para obter níveis de colesterol LDL < 50 mg/dL.
O alvo de LDL < 50 mg/dL (ou < 55 mg/dL) é reservado para pacientes de risco cardiovascular muito alto (ex: prevenção secundária de eventos coronarianos). A paciente é apenas diabética há 2 anos, em prevenção primária.
D
Considerar tratamento combinado com estatina de intensidade alta intensidade, ezetimiba e fenofibrato também visando elevação do HDL e diminuição do risco CV.
O uso de fibratos (como fenofibrato) não possui indicação primária para elevação isolada do HDL com intuito de reduzir risco cardiovascular. Os triglicerídeos dela estão normais (125 mg/dL), portanto o uso de fibrato não traria benefício.
E
Considerar terapia com ômega 3 [ácido eicosapentaenoico (EPA) e ácido docosaexaenoico (DHA)] evitando, no início, o uso da estatina que pode aumentar discretamente o risco de descompensação do diabetes.
A suplementação de ômega-3 não substitui as estatinas na redução do risco cardiovascular por redução do LDL. As estatinas têm forte evidência de benefício em pacientes diabéticos, superando amplamente o leve risco de piora glicêmica.
Ver Resposta e Comentário
Resposta CorretaB
Comentário
Pacientes com diabetes mellitus entre 40 e 75 anos de idade têm indicação formal de terapia com estatinas independentemente dos níveis basais de LDL, pois são considerados pacientes de risco cardiovascular aumentado (prevenção primária de alto risco). As diretrizes recomendam o uso de estatina de moderada a alta intensidade com o objetivo de obter níveis de LDL < 100 mg/dL. A paciente apresenta LDL calculado de 174 mg/dL (LDL = Colesterol total - HDL - TG/5 = 230 - 31 - 25 = 174). Para reduzir este valor para < 100 mg/dL, a introdução de uma estatina é mandatória. A meta primária na prevenção primária é manter o LDL < 100 mg/dL com uma estatina (frequentemente de moderada intensidade como primeiro passo).