Questão 44 — Associação Médica do Paraná (AMP) 2026
Ginecologia e ObstetríciaMedicina Fetal e Complicações da GestaçãoDiabetes e Endocrinopatias na GestaçãoHipertireoidismo na Gestação
Helena, 24 anos, recebeu diagnóstico de doença de Graves há 3 meses e encontra-se em uso de metimazol 10 mg /dia. Vem à consulta, nesta UBS, muita ansiosa, pois teve noticia que está gravida de 8 semanas. Ao exame apresenta-se com pequeno bócio palpavel liso e indolor, tremores finos, mãos frias e úmidas e nenhum sinal de oftalmopatia de Graves. Trouxe exames coletados há 5 dias com os seguintes valores: TSH= 0,1 (0.9-2.2 ng/dL); T4 livre= 1,6 ng/dL (0.9-2.0); T3 livre= 0,4 ng/dL (0,30 a 0,47); TRAb 0,55 UI/L (até 0,55). A melhor conduta neste momento, além de reencaminhá-la ao endocrinologista que solicitou estes exames de controle, será
A
trocar o metimazol pelo propiltiouracil na proporção de 100 mg para 1 mg de metimazol, podendo mantê-lo até o final da gestação, se necessário.
Apesar do propiltiouracil (PTU) ser a droga de escolha no primeiro trimestre se o tratamento medicamentoso for indispensável, não se recomenda o uso contínuo de PTU até o final da gestação pelo risco de hepatotoxicidade. Caso necessário, trocar-se-ia de volta para metimazol no 2º trimestre. Mas aqui, a paciente já está eutireoidea com dose baixa, sendo mais segura a suspensão.
B
trocar o metimazol por propiltiouracil e acrescentar levotiroxina em baixas dosagens devido a ação inibitória do fármaco sobre a conversão de T3 em T4.
Nunca se utiliza o esquema de bloqueio-reposição (antitireoidiano + levotiroxina) durante a gestação. Esse esquema usa maiores doses de antitireoidianos, aumentando os riscos de passagem transplacentária e hipotireoidismo fetal.
C
aumentar a dose de metimazol para 20 mg /d, pois as imunoglobulinas estimulantes da tireoide tendem a aumentar no transcorrer do período gestacional.
O metimazol não deve ter sua dose aumentada neste cenário (primeiro trimestre, paciente eutireoidea em dose baixa). Além disso, a tendência natural na gestação é a redução gradual dos títulos de TRAb com o passar dos trimestres, devido à imunotolerância gestacional.
D
suspender a medicação antitireoidiana, pois considera-se que além dos riscos de teratogenicidade do metimazol, os exames atuais estão compatíveis com o bom controle da doença.
Alternativa aceita pela banca. Explicação abaixo.
E
manter o metimazol na dose de 10 mg e acrescentar levotiroxina em baixas dosagens (esquema de bloqueio-reposição) para manter níveis normais de T4 livre sem prejuízo ao feto.
O esquema de bloqueio-reposição é totalmente contraindicado na gestação, pois os níveis de levotiroxina materna não ultrapassam adequadamente a placenta, ao passo que as drogas antitireoidianas o fazem, induzindo hipotireoidismo e bócio no feto.
Ver Resposta e Comentário
Resposta CorretaD
Comentário
No manejo da Doença de Graves na gestação, a principal meta é evitar as malformações fetais associadas ao uso de antitireoidianos (teratogenicidade do metimazol - embriopatia, aplasia cútis) e a hepatotoxicidade grave do propiltiouracil. As diretrizes (como da ATA) preconizam que, em gestantes no primeiro trimestre utilizando doses baixas de metimazol (<= 10 mg/dia) e que já se encontram clínica e laboratorialmente eutireoideas (ou com hipertireoidismo leve, evidenciado pelo T4 livre e T3 livre normais, apesar do TSH suprimido e TRAb normal/baixo), a conduta mais recomendada é a suspensão cautelosa do antitireoidiano, seguida de monitoramento tireoidiano rigoroso (semanal ou quinzenal) para garantir que o controle persista.