Nem sempre quem tem uma artéria coronária ocluída apresenta o supradesnivelamento clássico no ST no ECG. Estudos mostram que cerca de 50-60% dos pacientes com oclusão coronariana aguda (OCA) não se enquadram nos critérios tradicionais de IAM com supra de ST. Isso pode atrasar o diagnóstico de reperfusão e piorar o desfecho clínico. Baseado neste contexto, qual a melhor conduta diante de uma paciente com dor torácica típica e eletrocardiograma sem supra do segmento ST?
A
Está indicado trombólise química ( rt pa ) imediata.
Em casos suspeitos de infarto que não apresentem supradesnivelamento do segmento ST nos critérios convencionais de ECG, a terapia de reperfusão com trombolítico/fibrinolítico está contraindicada, pelo risco de sangramento sem benefício comprovado em desobstruir.
B
Deve ser encaminhado a estratégia invasiva imediata.
Na ausência de supra de ST, instabilidade hemodinâmica grave ou refratariedade imediata da dor, a estratificação exige aguardar as troponinas para decidir o momento do cateterismo (em até 2-24h se Alto Risco ou investigar no ambulatório se baixo risco). Não se manda a estratégia invasiva imediata sem critérios específicos.
C
Deve ser realizada uma angiotomografia de coronárias a fim de estabelecer o diagnóstico.
A angiotomografia de coronárias é um excelente exame para descartar síndrome coronariana aguda em pacientes de risco baixo a intermediário com dor torácica na sala de emergência. Não é a melhor conduta imediata para 'estabelecer diagnóstico' em um paciente de risco ou com dor contínua/alta probabilidade antes de outras avaliações e da cinética de biomarcadores (troponina).
D
Paciente deve ser encaminhado imediatamente para Unidade de Terapia Intensiva para iniciar droga inotrópica a fim de melhorar perfusão tecidual e estabilização clínica.
Não há relato de falência miocárdica e choque cardiogênico para justificar início de droga inotrópica (como dobutamina). Uma droga inotrópica poderia aumentar fortemente o consumo de O2 e piorar a isquemia.
E
Estratificar o risco do paciente, realizar eletrocardiograma seriados, coletar marcadores de necrose miocárdica e procurar ativamente no eletrocardiograma novos padrões que sugiram obstrução coronariana aguda.
Alternativa aceita pela banca. Explicação abaixo.
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Resposta CorretaE
Comentário
Nas síndromes coronarianas agudas que cursam sem supradesnivelamento clássico do segmento ST, o diagnóstico e a tomada de decisão dependem de uma adequada estratificação de risco clínico e laboratorial. As principais diretrizes recomendam: (1) realização de ECG seriado para avaliar evolução ou aparecimento de sinais de isquemia dinâmicos; (2) coleta de biomarcadores de necrose miocárdica (como a troponina ultrassensível) em tempos específicos; (3) observação rigorosa em busca de padrões ecocardiográficos sugestivos de oclusão aguda (por exemplo, os equivalentes de supra de ST, como o padrão de De Winter, sinal de Wellens, supra em aVR com infrações difusas). O desfecho ditará o momento da conduta invasiva.