Questão 37 — AMRIGS 2025
Sobre a hemorragia digestiva alta por úlcera péptica, assinale a alternativa que apresenta risco elevado de ressangramento.
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Alternativa Correta: C.
Na hemorragia digestiva alta (HDA) decorrente de úlcera péptica gastroduodenal, o principal fator preditor anatômico independente de ressangramento e falha do tratamento endoscópico relaciona-se à proximidade da úlcera com artérias de grande calibre:
- Parede posterior do bulbo duodenal: O bulbo duodenal em sua face posterior mantém íntimo contato anatômico com o trajeto retroperitoneal da artéria gastroduodenal. Úlceras pépticas que se aprofundam na parede posterior bulbar erodem diretamente esse vaso calibroso sob alta pressão sistêmica, determinando episódios de hemorragia arterial torrencial em jato (Forrest Ia), alto índice de falha do tratamento hemostático endoscópico e risco extremamente elevado de ressangramento precoce, frequentemente necessitando de embolização angiográfica ou abordagem cirúrgica aberta (duodenotomia com sutura hemostática vascular).
- Pequena curvatura alta do estômago: Trata-se do segundo sítio de maior risco anatômico gástrico, em decorrência do trajeto dos ramos da artéria gástrica esquerda.
Análise dos distratores:
- A está incorreta: Pela Classificação Endoscópica de Forrest, o estágio Forrest IIc define úlcera com fundo escuro recoberto por manchas de hematina/pigmento negro sem coágulo recente. Apresenta excelente prognóstico clínico e risco de ressangramento inferior a 5% a 8%, recebendo indicação apenas de terapia farmacológica com inibidor de bomba de prótons oral/venoso, sem indicação de intervenção endoscópica.
- B está incorreta: A grande curvatura gástrica possui suprimento dependente das artérias gastroepiplóicas com ampla rede anastomótica e baixa propensão a lesões de troncos arteriais axiais de alta pressão; o risco elevado de sangramento catastrófico no estômago reside na pequena curvatura gástrica.
- D está incorreta: A necessidade de hemotransfusão indica perda sanguínea volumosa e repercussão sistêmica, sendo um componente de escores clínicos de prognóstico (como o escore completo de Rockall). No entanto, o fator intrínseco fisiopatológico e anatômico preponderante que condiciona maior propensão biológica ao ressangramento arterial é a topografia da cratera ulcerosa posterior duodenal em íntimo contato com a artéria gastroduodenal.
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