Questão 56 — AMRIGS 2025
Mulher, 22 anos, com diagnóstico de esquizofrenia paranoide teve alta de unidade psiquiátrica com a resolução dos sintomas psicóticos utilizando adequadamente um antipsicótico. Com o tempo, começou a apresentar perda da libido, oligomenorreia, aumento das mamas e galactorreia. Exames laboratoriais indicaram aumento de prolactina, sendo as demais causas excluídas. Entre os antipsicóticos abaixo, qual seria o causador mais provável do evento adverso relatado?
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Alternativa Correta: A.
O controle fisiológico da secreção de prolactina pela adeno-hipófise é mediado tônica e predominantemente por inibição dopaminérgica via receptores D2 na via tuberoinfundibular (a dopamina atua como o fator inibidor de liberação de prolactina - PIF). Fármacos que bloqueiam os receptores dopaminérgicos D2 nessa via desinibem os lactotrofos hipofisários, provocando hiperprolactinemia, clinicamente manifesta por galactorreia, ginecomastia/mastalgia, irregularidade menstrual (oligomenorreia ou amenorreia por supressão de GnRH) e hipoestrogenismo/queda de libido.
Entre os antipsicóticos de segunda geração (atípicos), a risperidona (e seu metabólito ativo paliperidona) destaca-se por ter uma cinética de dissociação muito lenta e grande afinidade pelos receptores D2 hipofisários externos à barreira hematoencefálica. Por essa razão, a risperidona induz hiperprolactinemia em taxas elevadas (superiores a 70-80% dos pacientes), com magnitudes frequentemente comparáveis ou superiores aos antipsicóticos típicos de alta potência (como haloperidol).
Análise dos distratores:
- Alternativa B (Incorreta): A olanzapina eleva a prolactina de maneira leve e frequentemente assintomática e transitória, devido à sua menor afinidade relativa por D2 e maior ocupação 5-HT2A.
- Alternativa C (Incorreta): A clorpromazina é um antipsicótico típico fenotiazínico de baixa potência (bloqueador histaminérgico, colinérgico e alfa-1 proeminente), que pode elevar prolactina, mas diante do contexto moderno de resolução de psicose em jovem de 22 anos com perfil atípico predominante e questão de prova de residência, a risperidona é o exemplo prototípico e clássico de hiperprolactinemia pronunciada.
- Alternativa D (Incorreta): A quetiapina liga-se de modo frouxo e dissocia-se muito rapidamente do receptor D2 ("hit and run"), sendo considerada um antipsicótico poupador de prolactina (prolactin-sparing), assim como a clozapina e o aripiprazol.
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