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AMRIGS 2025

Questão 68 — AMRIGS 2025

Pediatria Psiquiatria da Infância e Adolescência Transtornos do Neurodesenvolvimento

Em relação ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), assinale a alternativa correta.

A Por ser impossível o diagnóstico de TEA em lactentes entre os 18 e 24 meses, na prática, ele é realizado tardiamente.
B O diagnóstico de TEA é clínico, reservando-se a utilização de teste complementar de biomarcador específico nos casos de dúvida diagnóstica.
C Quando o lactente tem irmãos ou pais com TEA ou atraso nos marcos do desenvolvimento neuropsicomotor, especialmente nas áreas de comunicação, comportamento e socialização, torna-se mandatória a investigação diagnóstica de TEA.
D Considerando a elevação progressiva da prevalência de TEA, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda complementar a avaliação da Caderneta da Criança com a triagem específica para autismo em todas as crianças nas idades de 36 e 48 meses, por meio do M-CHAT-R/F.
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Resposta Correta C
Comentário

Alternativa Correta: C.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento com forte componente genético e hereditário estimado em mais de 80%:

1. Risco Genético e Familiar: Crianças que possuem parentes em primeiro grau (pais biológicos ou irmãos) com diagnóstico de TEA ou com histórico de déficits da comunicação social e padrões comportamentais repetitivos enquadram-se em grupo de alto risco biológico. A taxa de recorrência de TEA em irmãos é de aproximadamente 10% a 20% (podendo atingir mais de 30% na presença de dois irmãos previamente afetados). Nesses casos, a investigação diagnóstica e o rastreamento intensivo tornam-se mandatórios a partir do primeiro ano de vida para viabilizar intervenção precoce em janelas críticas de neuroplasticidade.

Análise dos distratores:

- A: O diagnóstico precoce entre 18 e 24 meses não é impossível; pelo contrário, sinais de alerta precoces consistentes (ausência de contato visual sustentado, não responder ao próprio nome, ausência de atenção compartilhada e não apontar com intenção declarativa) já permitem estabelecer diagnóstico ou identificar risco substancial nessa idade.

- B: O diagnóstico de TEA é puramente clínico, baseado nos critérios padronizados do DSM-5-TR e CID-11. Não há nenhum marcador biológico, bioquímico, genético exclusivo ou exame de neuroimagem capaz de confirmar ou afastar o transtorno de forma isolada.

- D: A recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e de entidades internacionais (como a AAP) preconiza a triagem universal do TEA com a escala padronizada M-CHAT-R/F nas consultas de puericultura aos 18 e 24 meses de vida (e não tardiamente aos 36 e 48 meses).

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