Questão 77 — AMRIGS 2025
Sobre a escala de coma de Glasgow, na avaliação clínica e acompanhamento do nível de consciência do paciente, analise as assertivas a seguir:
I. É utilizada tanto no coma traumático quanto no não traumático.
II. Avalia quatro parâmetros: abertura ocular (com notas de 1 a 5), resposta verbal (com notas de 1 a 5), resposta motora (com notas de 0 a 4) e padrão respiratório (com notas de 0 a 1).
III. O melhor escore é 15 e o pior é 3 (que indica que o paciente está morto).
Quais estão corretas?
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Alternativa Correta: A.
Assertiva I (Correta): Embora tenha sido originalmente formulada em 1974 por Teasdale e Jennett para padronizar a avaliação da gravidade no traumatismo cranioencefálico, a Escala de Coma de Glasgow (ECG / GCS) foi subsequentemente validada e é universalmente empregada para a avaliação sistemática e o seguimento evolutivo do nível de consciência em pacientes em coma tanto de origem traumática quanto não traumática (por exemplo, encefalopatias metabólicas, anóxicas, infecciosas, intoxicações exógenas e acidentes vasculares encefálicos).
Assertiva II (Incorreta): A Escala de Coma de Glasgow tradicional avalia estritamente três parâmetros clínicos:
- Abertura ocular: pontuação de 1 a 4;
- Melhor resposta verbal: pontuação de 1 a 5;
- Melhor resposta motora: pontuação de 1 a 6.
A escala não inclui pontuações de 0 a 4 para resposta motora nem avaliação de "padrão respiratório" (o qual integra a escala FOUR, mas não a de Glasgow). A atualização recente (GCS-P) incluiu a reatividade pupilar (0 a -2 pontos subtraídos), sem alterar os três domínios clássicos.
Assertiva III (Incorreta): De fato, na escala clássica o escore máximo é 15 e o escore mínimo é 3. No entanto, o escore de 3 significa apenas coma profundo não responsivo / arreativo, NÃO significando em hipótese alguma que o paciente "está morto" ou em morte encefálica. Condições agudas potencialmente reversíveis (como hipotermia profunda, uso de sedativos e depressores do SNC, intoxicações por barbitúricos e comas metabólicos) podem levar o paciente temporariamente a um Glasgow de 3 com posterior recuperação completa. A confirmação de morte encefálica exige protocolo clínico estrito com ausência de reflexos de tronco encefálico, teste de apneia positivo e exame complementar confirmatório comprobatório.
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