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ENARE 2023/2024

Questão 98 — ENARE 2023/2024

Medicina Preventiva Atenção Primária Imunização

Durante uma consulta de rotina, observa-se que um menino de 4 anos está com cartão vacinal incompleto. Ele compareceu à consulta acompanhado de sua mãe, que relata para o profissional que tem medo de vacinar o filho, pois frequentemente vê na mídia ou em grupos de mensagens que as vacinas podem causar autismo. Ela mesma não se vacina há mais de 10 anos. Diante dessa mãe – que tem um comportamento denominado hesitação vacinal – qual deve ser a postura do profissional de saúde?

A O profissional de saúde deve recomendar de forma cautelosa a vacinação, para não gerar atrito na comunicação com o paciente.
B Abordagens diretas, como dizer ao paciente que seus filhos estão com vacinação atrasada, ao invés de questionar sobre os motivos do atraso, resultam em melhores resultados, principalmente entre pessoas que recusam a vacinação de forma direta.
C É fundamental que os profissionais de saúde exponham aos pacientes hesitosos que a vacinação tem riscos, mas que seus benefícios os superam em muitas ordens de grandeza.
D É adequado substituir o profissional de saúde que realiza o atendimento, uma vez que o paciente tenha demonstrado recusa para vacinas diante daquele profissional, mesmo que o paciente aceite informações sobre a vacinação.
E Uma comunicação padronizada para todos os pacientes apresenta melhores resultados para adesão a vacinas do que a comunicação ajustada para cada grupo de pacientes.
Ver Resposta e Comentário
Resposta Correta C
Comentário

Alternativa Correta: C. A "hesitação vacinal" impulsionada pela desinformação cibernética (ex.: falsa associação de vacinas como a tríplice viral ao espectro do autismo) é um desafio formidável. A Organização Pan-Americana de Saúde preconiza que atitudes omissas ("cautelosas demais"- A) ou posturas abertamente hostis de embate destilam desconfiança. A estratégia comunicacional mais efetiva é a escuta isenta de julgamento moral, combinada com a transparência científica madura: o médico deve reconhecer que intercorrências pós-vacinais e pequenos riscos existem sim, entretanto, precisa garantir argumentativamente (com linguagem acessível) que os poderosos benefícios individuais e coletivos de proteção contra sequelas e pandemias sobrepujam maciçamente e inquestionavelmente qualquer perigo isolado.

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