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ENARE 2026 R3 Clínica Médica

Questão 14 — ENARE 2026 R3 Clínica Médica

Clínica Médica Gastroenterologia e Hepatologia Doença Hepática Crônica e Cirrose
João, 48 anos, procurou atendimento ambulatorial para avaliação de rotina. Apresentava índice de massa corporal de 32 kg/m², circunferência abdominal de 108 cm, hipertensão arterial sistêmica em uso de losartana 50 mg/dia, Diabetes Mellitus tipo 2 diagnosticado há 3 anos, em uso de metformina 500 mg, duas vezes ao dia e dislipidemia mista. Negava etilismo significativo, mas referia consumo eventual de até duas latas de cerveja nos finais de semana. Exames laboratoriais recentes mostraram: glicemia de jejum de 145 mg/dl, hemoglobina glicada de 7.8%, colesterol total de 245 mg/dL, LDL de 165 mg/dL, HDL de 35 mg/dL e triglicérides de 280 mg/dL. As aminotransferases estavam elevadas: ALT de 68 D/L (VR: 10-40) e AST (de 52 U/L (VR: 10-40), com razão AST/ALT de 0,76. Bilirrubinas, fosfatase alcalina e gama-GT estavam normais. O hemograma completo era normal. Ao exame físico, apresentava esteatose hepática detectada por ultrassonografia abdominal, sem outras alterações significativas. Considerando a doença hepática gordurosa de origem metabólica e os achados descritos, a estratégia de rastreamento mais adequada para avaliação de fibrose hepática é
A aplicação inicial do escore FIB-4 e, se o resultado for intermediário (1,30-2,67), realizar elastografia hepática; se a elastografia for ≥ 10 kPa, considerar bíópsia hepática.
B realização de biopsia hepática percutânea, considerando a presença de múltiplos fatores de risco metabólicos e elevação das aminotransferases.
C realização de elastografia hepática como método inicial de triagem, complementada por ressonância magnética com elastografia se os valores estiverem entre 8-12 kPa.
D aplicação do escore NAFLD Fibrosis Score (NFS) como método único de avaliação, dispensando métodos complementares, se o resultado for <-1,455.
E realização de ultrassom-convencional seriado a cada 6 meses para monitorização da progressão da esteatose, sem necessidade de avaliação específica para fibrose.
Ver Resposta e Comentário
Resposta Correta A
Comentário
Em pessoa com obesidade, diabetes, dislipidemia e esteatose, a avaliação de fibrose deve ser escalonada. A orientação da AASLD usa o FIB-4 como teste inicial: valor inferior a 1,3 sugere baixo risco; entre 1,3 e 2,67 requer avaliação secundária, preferencialmente por elastografia; acima de 2,67 aumenta a probabilidade de fibrose avançada e indica avaliação especializada. Portanto, A é a melhor alternativa. Ressalva atual: rigidez de 8 a 12 kPa na elastografia representa risco intermediário e valor acima de 12 kPa, alto risco; o limiar isolado de 10 kPa não torna a biópsia automática. Ela pode ser considerada diante de incerteza diagnóstica, resultados discordantes, suspeita de esteato-hepatite significativa ou necessidade de confirmação histológica. Ultrassom convencional não estratifica fibrose e biópsia não é rastreamento inicial.
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