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ENARE 2026 R3 Clínica Médica

Questão 40 — ENARE 2026 R3 Clínica Médica

Clínica Médica Gastroenterologia e Hepatologia Semiologia e Métodos Diagnósticos Digestivos
Paciente masculino, 68 anos, com histórico de câncer gástrico diagnosticado há 8 meses e em quimioterapia há 2 meses, foi internado com queixa de aumento progressivo do volume abdominal, dor abdominal difusa e dispneia aos pequenos esforços. Referia também perda ponderal não intencional de 8 kg nos últimos 3 meses, associada à hiporexia e astenia. Ao exame físico, apresentava abdome globoso, tenso, com macicez à percussão em flancos e sinal de piparote positivo. Os membros inferiores exibiam edema 2+/4+. Ultrassonografia abdominal revelou ascite volumosa e múltiplas lesões hepáticas sugestivas de metástases. A paracentese diagnóstica foi realizada e o líquido ascitico era amarelo-citrino, levemente turvo. A análise laboratorial do líquido ascítico e do soro revelou os seguintes dados: albumina sérica 3,2 g/dL, albumina do líquido ascítico 2,1 g/dl, proteína total do líquido ascítico 2,8 g/dL, LDH do líquido ascitico 350 U/L (LDH sérico 200 U/L) e-contagem decélulas nucleadas de 800/mm³ com predomínio de linfócitos e monócitos. A Citopatologia do líquido ascítico estava pendente. Considerando os achados clínicos e laboratoriais da paracentese, a causa mais provável da ascite nesse paciente seria
A cirrose hepática descompensada.
B sindrome de Budd-Chiari.
C carcinomatose peritoneal.
D tuberculose peritoneal
E insuficiência cardíaca congestiva.
Ver Resposta e Comentário
Resposta Correta C
Comentário
O gradiente soro-ascite de albumina é exatamente 1,1 g/dL. Pelo corte usual, valores ≥1,1 sugerem componente de hipertensão portal, enquanto valores <1,1 favorecem doença peritoneal; contudo, o resultado está no limite e deve ser interpretado com o quadro completo. O líquido apresenta proteína de 2,8 g/dL, LDH ascítico superior ao sérico e predomínio mononuclear. Em paciente com câncer gástrico, perda ponderal e doença metastática, esse conjunto torna carcinomatose peritoneal a alternativa mais provável, embora a citopatologia pendente seja importante para confirmação. Cirrose não foi descrita; insuficiência cardíaca exigiria contexto congestivo; Budd-Chiari dependeria de obstrução venosa hepática; e tuberculose peritoneal permanece diferencial para ascite linfocitária, mas é menos provável neste cenário oncológico.
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