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ENARE 2026 R3 Clínica Médica

Questão 56 — ENARE 2026 R3 Clínica Médica

Cirurgia Geral Princípios de Cirurgia e Cuidados Perioperatórios Avaliação e Preparo Pré-Operatório
Roberto, 68 anos, é internado eletivamente para ressecção anterior baixa de reto por adenocarcinoma, com tempo cirúrgico estimado de 3 horas sob anestesia geral. Apresenta hipertensão arterial sistêmica controlada com losartana e Diabetes Mellitus tipo 2 em uso de metformina, com hemoglobina glicada de 7,1%. Ao exame físico, encontra-se estável, normocorado, com pressão arterial de 140/85 mmHg e frequência cardíaca de 78 bpm. Nega dispneia aos esforços habituais e refere conseguir subir dois lances de escada sem limitação. Não apresenta história de doença coronariana, insuficiência cardíaca ou doença cerebrovascular. Eletrocardiograma mostra ritmo sinusal sem alterações isquêmicas. A conduta mais apropriada para avaliação pré-operatória do risco cardiovascular nesse paciente é
A solicitar ecocardiograma transtorácico e teste ergométrico devido ao diabetes e hipertensão associados à cirurgia de risco cardiovascular intermediário.
B realizar hemograma completo, bioquímica com função renal e hepática, coagulograma e tipagem sanguínea, considerando a capacidade funcional preservada e ausência de fatores de risco clínicos ativos.
C solicitar reserva de concentrado de hemácias devido ao risco de sangramento na ressecção retal, além dos exames pré-operatórios de rotina.
D realizar radiografia de tórax, ecocardiograma e dosagem de peptídeos natriuréticos para avaliação de insuficiência cardíaca subclínica.
E prosseguir com a cirurgia sem exames complementares adicionais, considerando a ausência de sintomas cardiovasculares e eletrocardiograma normal.
Ver Resposta e Comentário
Resposta Correta B
Comentário
Resposta esperada: o paciente não apresenta condição cardiovascular ativa, sintomas cardíacos nem limitação funcional relevante. A diretriz AHA/ACC de 2024 recomenda teste de isquemia apenas para pacientes selecionados com capacidade funcional ruim ou desconhecida e risco perioperatório elevado; quem tem boa capacidade funcional não deve realizar teste provocativo rotineiro. Também não há indicação clínica de ecocardiograma para rastrear insuficiência cardíaca. Entre as alternativas, a B é a mais apropriada: mantém apenas avaliação laboratorial compatível com cirurgia abdominal oncológica e planejamento anestésico, sem acrescentar investigação cardiovascular desnecessária. A extensão dos exames laboratoriais e a tipagem sanguínea deve seguir risco hemorrágico, comorbidades e protocolo institucional; reserva de hemácias não é automática.
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