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ENARE 2026 R3 Clínica Médica

Questão 64 — ENARE 2026 R3 Clínica Médica

Clínica Médica Gastroenterologia e Hepatologia Doenças Intestinais e Síndromes Disabsortivas
Paciente feminina, 65 anos, com histórico de Diabetes Mellitus tipo 2 de longa data e neuropatia autonômica conhecida, procurou o pronto-socorro devido a uma agudização de sintomas gastrointestinais. Referiu dor abdominal do tipo cólica de forte intensidade, distensão abdominal progressiva, náuseas e episódios de vómitos. É o segundo episódio agudo com esses sinais e sintomas nos últimos seis meses, sendo o atual o mais grave. Cronicamente, queixa-se de constipação crônica e inchaço abdominal pós-prandial. Ao exame fisico, apresentava-se desidratada, com abdome muito distendido, doloroso à palpação difusa, mas sem sinais de peritonite. Ruídos hidroaéreos diminuídos. Hemograma de admissão com leucocitose discreta (11.500/mm³) sem desvio à esquerda. Uma tomografia computadorizada de abdome e pelve com contraste demonstrou alças intestinais difusamente dilatadas em delgado e cólon, sem evidência de obstrução mecânica ou massa intraluminal ou extraluminal, mas com diminutos focos de Pneumatosis intestinalis. Exames laboratoriais de admissão revelaram hipocalemia (potássio sérico 2,8 mEq/L) e hipoalbuminemia (2.5 g/dL). Diante do quadro clínico e dos resultados dos exames, a conduta inicial mais apropriada para essa paciente é
A iniciar antibioticoterapia empírica visando a um possível supercrescimento bacteriano intestinal.
B programar colonoscopia diagnóstica de urgência para exclusão de obstrução mecânica baixa.
C administrar laxativos osmóticos e estimulantes em altas doses para alivio imediato da constipação e distensão abdominal.
D iniciar suporte hidroeletrolítico intravenoso, suspender a dieta oral e considerar procinético como eritromicina, prucaloprida ou anticolinesterásico, dependendo da disponibilidade e tolerância.
E solicitar exames como sorologias para doença celíaca, hormônios tireoidianos, marcadores inflamatórios e painel de autoanticorpos (ex.: antineuronais e de canais iônicos) para investigar a etiologia subjacente.
Ver Resposta e Comentário
Resposta Correta D
Comentário
Dilatação difusa de delgado e cólon sem ponto de transição ou lesão obstrutiva, associada a neuropatia autonômica diabética e episódios recorrentes, indica pseudo-obstrução intestinal por dismotilidade. A prioridade é estabilizar: suspender ingestão oral, repor volume, corrigir hipocalemia e outros distúrbios, descomprimir quando necessário e monitorar sinais de isquemia ou perfuração. A hipocalemia reduz ainda mais a motilidade e precisa ser corrigida. Na ausência de peritonite e de achados inequívocos de necrose, pode-se considerar agente procinético ou anticolinesterásico conforme o segmento predominante, contraindicações e disponibilidade. Colonoscopia urgente é inadequada quando a tomografia exclui obstrução baixa e pode aumentar risco. Laxativos em altas doses e antibiótico empírico não corrigem o mecanismo primário. A investigação etiológica complementar vem após a estabilização.
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