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ENARE 2026 R3 Clínica Médica

Questão 65 — ENARE 2026 R3 Clínica Médica

Clínica Médica Hematologia e Hemoterapia Hemostasia e Trombose
Paciente masculino, 72 anos, foi admitido no pronto-socorro com queixa de inchaço, dor e sensação de peso progressivos na perna direita, há 48 horas. Há três semanas, foi submetido à cirurgia para correção de fratura de fêmur direito, tendo alta hospitalar há uma semana e mantendo-se com mobilidade restrita. Ao exame físico, a perna direita apresentava edema de 3+/4+, eritema discreto, aumento da temperatura local e dor à palpação da panturrilha. O restante do exame físico era normal, sem sinais de sangramento ativo. Exames laboratoriais revelaram D-dímero elevado (1200 ng/ml, valor de referência < 500 ng/mL), hemograma sem alterações significativas (hemoglobina 14,0 g/dL, plaquetas 250.000/mm³), coagulograma normal e função renal preservada (creatinina 0,9 mg/dL). O ultrassom com doppler venoso do membro inferior direito confirmou a presença de trombose venosa profunda oclusiva no segmento femoropopliteo, estendendo-se até a veia femoral comum. Diante do diagnóstico de trombose venosa profunda e das características do paciente, a conduta terapêutica inicial mais apropriada é
A iniciar apixabana 10 mg, duas vezes ao dia, por sete dias, seguida de 5 mg, duas vezes ao dia, por um período mínimo de três meses.
B indicar a inserção de filtro de veia cava inferior para prevenção de embolia pulmonar, seguido de anticoagulação oral.
C iniciar heparina não fracionada em bolus seguido de infusão contínua com ajuste por TTPA, seguido de transição para varfarina.
D iniciar rivaroxabana 15 mg, duas vezes ao dia, por três semanas, seguida de 10 mg, uma vez ao dia, por um período mínimo de seis meses.
E iniciar enoxaparina 1 mg/kg subcutânea a cada 12 horas e, concomitantemente, dabigatrana 150 mg, duas vezes ao dia.
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Resposta Correta A
Comentário
Há trombose venosa profunda proximal provocada por cirurgia e imobilidade recentes, sem contraindicação à anticoagulação e com função renal preservada. A apixabana pode ser iniciada diretamente: 10 mg duas vezes ao dia por sete dias, seguida de 5 mg duas vezes ao dia. Diretrizes recomendam fase terapêutica mínima de três meses para tromboembolismo venoso agudo, e a bula vigente relaciona duração curta de pelo menos três meses a fatores transitórios como cirurgia, trauma e imobilização. Filtro de veia cava é reservado principalmente à contraindicação à anticoagulação. Heparina com varfarina é eficaz, mas mais complexa. A alternativa D erra a manutenção da rivaroxabana, que seria 20 mg/dia nessa fase, e a dabigatrana deve suceder pelo menos cinco dias de anticoagulação parenteral, não ser iniciada concomitantemente em sobreposição terapêutica.
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