ENARE 2026 R3 Clínica Médica
Questão 69 — ENARE 2026 R3 Clínica Médica
Paciente masculino 78 anos, procurou o cardiologista com queixas de dispneia progressiva aos esforços há 2 anos, que agora o impede de caminhar mais de um quarteirão. Relata episódios recentes de tontura e quase desmaio durante atividades mais intensas, além de dor torácica opressiva ao subir escadas, que alivia com repouso. Ao exame físico, apresenta pulsos periféricos de amplitude diminuída e ascenso lento (pulsus parvus et tardus). O ictus cordis é palpável no 6º espaço intercostal esquerdo, linha axilar média, com características propulsivas e sustentadas. Há frêmito sistólico palpável no 2º espaço intercostal direito, junto ao esterno. À ausculta cardíaca, as bulhas são rítmicas, a 2ª bulha (B2) apresenta componente aórtico (A2) hipofonético. É audível uma quarta bulha (B4), em ápice cardíaco. Presente sopro sistólico ejetivo (crescendo-decrescendo) de alta intensidade (Grau IV/VI), com pico mesossistólico, mais audível na borda esternal direita alta (2º espaço intercostal) e em foco aórtico acessório (3º espaço intercostal esquerdo), com irradiação nítida para as carótidas e para o ápice (fenômeno de Gallavardin). O sopro diminui discretamente de intensidade à manobra de Valsalva. O diagnóstico cardiovascular mais provável para esse paciente é
Ver Resposta e Comentário
Resposta Correta
E
Comentário
O paciente apresenta a tríade sintomática clássica de estenose aórtica grave: angina, pré-síncope e dispneia aos esforços. O sopro sistólico ejetivo em crescendo-decrescendo, mais intenso no foco aórtico e irradiado para carótidas, associado a frêmito, A2 hipofonético e pulsus parvus et tardus, localiza obstrução valvar aórtica hemodinamicamente relevante. O ictus sustentado e a quarta bulha refletem hipertrofia e menor complacência do ventrículo esquerdo. A redução com Valsalva ajuda a diferenciar da cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva, cujo sopro costuma aumentar. Insuficiência mitral gera sopro holossistólico apical, e estenose pulmonar tem foco e irradiação distintos. Esclerose aórtica simples não justificaria pulsos tardios nem sintomas de baixo débito e congestão.
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