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ENARE 2027 — R+ Clínica Médica

Questão 49 — ENARE 2027 — R+ Clínica Médica

Clínica Médica Medicina de Emergência e Terapia Intensiva Choque
Homem de 67 anos, hipertenso, é admitido no pronto atendimento com febre, tosse produtiva e dispneia há três dias. Encontra-se confuso, com temperatura de 38,7 °C, frequência cardíaca de 118 bpm, frequência respiratória de 30 irpm, pressão arterial de 82/48 mmHg e saturação periférica de oxigênio de 91% em ar ambiente. A radiografia de tórax evidencia consolidação no lobo inferior direito. Exames laboratoriais mostram leucócitos de 18.400/mm³, creatinina de 2,0 mg/dL, sendo basal de 0,9 mg/dL, e lactato de 4,8 mmol/L. Após coleta de culturas e início de antibioticoterapia, recebe solução cristaloide em volume total de 30 mL/kg. Na reavaliação, permanece com pressão arterial de 84/50 mmHg, frequência cardíaca de 112 bpm e lactato de 4,3 mmol/L. O tempo de enchimento capilar é de 5 segundos. A elevação passiva dos membros inferiores não produz aumento significativo do volume sistólico avaliado por ecocardiografia à beira-leito. Não há sinais de congestão pulmonar. Nesse momento, a conduta mais apropriada é
A administrar nova expansão rápida com cristaloide, pois a ausência de congestão pulmonar indica segurança para prosseguir a reposição volêmica até a normalização do lactato.
B iniciar noradrenalina, titulando a dose inicialmente para pressão arterial média de aproximadamente 65 mmHg, com reavaliação seriada da perfusão e da resposta hemodinâmica.
C iniciar vasopressina como agente vasoativo de primeira escolha, reservando a noradrenalina para os casos em que não seja possível atingir a pressão arterial média alvo.
D iniciar dobutamina isoladamente, uma vez que a persistência de hiperlactatemia após reposição volêmica adequada demonstra baixo débito cardíaco como mecanismo predominante do choque.
E aguardar nova dosagem de lactato após a conclusão da antibioticoterapia inicial antes de iniciar vasopressor, pois a persistência de hiperlactatemia isoladamente não estabelece falha da ressuscitação volêmica.
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Resposta Correta B
Comentário

Após 30 mL/kg de cristaloide, o paciente continua hipotenso, hipoperfundido e com lactato elevado. A elevação passiva das pernas não aumenta o volume sistólico, sugerindo ausência de responsividade a volume. Portanto, novos bolus indiscriminados têm baixo potencial de benefício e aumentam risco de sobrecarga.

O vasopressor de primeira escolha no choque séptico é a noradrenalina, titulada inicialmente para PAM em torno de 65 mmHg, com reavaliação de perfusão, tempo de enchimento capilar, diurese e lactato. Vasopressina pode ser associada posteriormente para reduzir dose de noradrenalina. Dobutamina é reservada a disfunção cardíaca/hipoperfusão persistente apesar de pressão e volume adequados.

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