PediatriaNeonatologiaDistúrbios Metabólicos e Hematológicos NeonataisHipoglicemia Neonatal
Recém-nascido, 35 semanas, pequeno para a idade gestacional, admitido na UTIN com 12 horas de vida, com desconforto respiratório leve e tremores finos de extremidades e glicemia capilar 28 mg/dL. Prescrita dieta zero, bolos de glicose a 10% (2 ml/kg) na veia periférica e hidratação venosa com taxa de infusão de glicose (TIG) de 6 mg/kg/min. Após duas reavaliações a cada 30 minutos, a glicemia capilar estava entre 34 mg/dL e 36 mg/dl, com letargia moderada e hipotonia. Diante do quadro e conforme as diretrizes para hipoglicemia, preconizadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria, a conduta é
A
realizar novo bolus de glicose a 10% (2 ml/kg): progredir a TIG de 6 para 15 mg/kg/min por meio de solução de glicose a 15% na via em uso, a fim de atingir rapidamente o alvo glicêmico e reavaliar a glicemia a cada 30 minutos.
Elevar abruptamente a TIG diretamente para 15 mg/kg/min por solução hiperosmolar em acesso periférico não é a progressão inicial mais segura.
B
coletar amostra critica de sangue e urina antes de alterar a TIG. Realizar novo bolus de glicose a 10% (2 ml/kg): posteriormente elevar a TIG a 8 mg/kg/min e providenciar acesso venoso central para novas elevações da TIG, se necessárias..
Correta. Hipoglicemia sintomática persistente exige amostra crítica, novo resgate e aumento progressivo da TIG, planejando acesso central se forem necessárias concentrações maiores.
C
manter a TIG em 6 mg/kg/min, evitando efeito rebote do hiperinsulinismo secundário; administrar glucagon via intramuscular (0,1 mg/kg) para resgate imediato, aguardar a recuperação do tõnus e iniciar dieta por sonda orogástrica
Glucagon pode ser recurso temporário em situações específicas, mas não substitui aumento da oferta de glicose e investigação de hipoglicemia persistente.
D
reduzir gradativamente a infusão endovenosa continua simultaneamente à administração de gel de glicose a 40% na mucosa oral e fórmula infantil para prematuros por sonda. objetivando menor oscilação glicêmica por via digestiva
Gel oral e alimentação não são suficientes para um RN sintomático que falhou a terapia intravenosa inicial.
E
repetir o bolus de glicose a 10% em volume de 4 ml/kg pela via periférica, manter a TIG em 6 mg/kg/min, avaliação glicêmica a cada 30 minutos, solicitar ultrassonografia transfontanela para avaliar hemorragia intracraniana como causa da letargia.
Aumentar o volume do bolus sem elevar a TIG não corrige a necessidade contínua de glicose; neuroimagem não é a prioridade diante de hipoglicemia documentada.
Ver Resposta e Comentário
Resposta CorretaB
Comentário
O recém-nascido é prematuro/pequeno para a idade gestacional, sintomático e mantém glicemias baixas apesar de bolus e TIG de 6 mg/kg/min. Na hipoglicemia persistente, deve-se obter amostra crítica durante a hipoglicemia para investigar hiperinsulinismo e outras causas, repetir o resgate quando indicado e elevar progressivamente a taxa de infusão de glicose. Concentrações elevadas de glicose podem exigir acesso venoso central para evitar lesão vascular. O tratamento não deve ser retardado, mas a coleta crítica antes da correção, quando possível, aumenta muito o rendimento diagnóstico.