PediatriaEndocrinologia PediátricaPuberdade e Diferenciação SexualPuberdade Precoce Central
Menina, branca, 7 anos e 4 meses, está na consulta com a avó que notou, há 3 meses, um botão mamário bilateral e discreta sensibilidade local, sem outras queixas. Bom estado geral, frequenta escola e não há evidência de forte exposição a disruptores endócrinos. Ao exame: peso no P85, estatura no P95 para a idade (acima do alvo genético que é de 1,58 m); PA normal, sem acne, sem pelos pubianos ou axilares; botão mamário palpável sob a aréola bilateralmente, sem nódulos suspeitos. Idade óssea (radiografia dos punhos) de 9 anos. Ultrassonografia pélvica: útero com comprimento de 3,8 cm, ovários com volume de 2,1 ml bilateralmente com pequenos folículos. Com base nesses dados, nos critérios de desenvolvimento e no estadiamento de Tanner, assinale a opção correta.
A
A ultrassonografia pélvica com útero de 3,8 cm e ovários de 2,1 ml exclui puberdade precoce central, pois esses valores estão dentro da faixa pré-puberal. A conduta é reavaliar em 6 meses, acompanhar velocidade do crescimento e sinais puberais.
Útero de 3,8 cm, avanço de idade óssea e aceleração do crescimento não permitem simplesmente classificar o quadro como pré-puberal.
B
O botão mamário bilateral aos 7 anos e 4 meses está nos limites da normalidade para meninas brancas, cujo início puberal médio ocorre aos 10 anos. Não há recomendação de investigação adicional, deve-se reavaliar em 6 meses e monitorar crescimento e desenvolvimento.
Telarca aos 7 anos e 4 meses é precoce por definição e merece investigação, sobretudo com idade óssea avançada.
C
O quadro sugere telarca prematura isolada – variante fisiológica benigna, por não haver pelos pubianos. A conduta é observação clínica, sem necessidade de exames de imagem ou laboratoriais, com acompanhamento do crescimento.
Telarca prematura isolada costuma ocorrer sem aceleração importante do crescimento, avanço ósseo e sinais de ativação gonadal.
D
O avanço da idade óssea isolado confirma puberdade precoce periférica independente de gnrh. A conduta imediata é iniciar inibidor da aromatase para bloquear o avanço maturacional e retardando a menarca.
Idade óssea avançada não distingue sozinha puberdade central de periférica e não indica iniciar inibidor de aromatase empiricamente.
E
Início da telarca, avanço da idade óssea e ultrassonografia pélvica com sinais de ativação gonadal, trata-se de puberdade precoce central. Deve-se avaliar hormônio luteinizante basal pós estímulo com gnrh e ressonância magnética de crânio excluindo causa orgânica intracraniana.
Correta. Há sinais de ativação puberal central, justificando avaliação gonadotrófica e investigação etiológica conforme idade e contexto.
Ver Resposta e Comentário
Resposta CorretaE
Comentário
Telarca antes dos 8 anos, aceleração do crescimento, avanço importante da idade óssea e aumento uterino/ovariano sugerem puberdade precoce central, isto é, ativação prematura do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. A confirmação é feita com LH basal e, quando necessário, teste de estímulo com GnRH, além da avaliação etiológica. Em meninas pequenas ou quando houver suspeita de causa central, ressonância de encéfalo pode ser indicada. Telarca prematura isolada não costuma acelerar idade óssea nem crescimento dessa forma.