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Santa Casa SP 2022

Questão 39 — Santa Casa SP 2022

Pediatria Cardiologia Pediátrica Doença de Kawasaki
Um menino com dezoito meses de vida foi levado à consulta com queixa de febre alta há seis dias, sem melhora após 72 horas de azitromicina, prescrita em outro serviço médico devido ao diagnóstico de amigdalite. A mãe refere irritabilidade desde o início do quadro e nega sintomas respiratórios ou gastrointestinais e epidemiologia conhecida para covid-19. Ao exame físico, está um pouco irritado, mas corado, hidratado, eupneico, acianótico, com boa perfusão periférica e sinais vitais dentro da normalidade. Apresenta “língua em framboesa”, eritema de lábios com fissuras e hiperemia conjuntival bilateral, sem exsudato e eritema palmo-plantar. O restante do exame físico não revela nenhuma outra anormalidade. Os exames laboratoriais revelam os seguintes resultados: proteína C-reativa 6 mg/dL; VHS 78 mm/h; Hb 9,5 g/dL; leucócitos 16.700/mm3; e plaquetas 200.000/mm3. Além disso, apresenta albumina igual a 3 g/dL e elevação de transaminase pirúvica (ou alanina aminotransferase). Os exames de urina do tipo I e de função renal não revelaram anormalidades. O ecocardiograma está normal. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta.
A Preenche os critérios para a doença de Kawasaki clássica.
B Nos casos resistentes ao tratamento com a imunoglobulina endovenosa, não é recomendável repetir essa medicação.
C O ácido acetilsalicílico (AAS) deve ser introduzido na dose de 3 a 5 m/kg/dia.
D Em alguns casos de alto risco de aneurisma coronariano, a American Heart Association sugere tratamento inicial adjuvante com metilprednisolona, em associação com a imunoglobulina endovenosa, até a resolução da febre.
E A presença de infecção gastrointestinal ou de vias aéreas superiores afastaria a possibilidade de doença de Kawasaki.
Ver Resposta e Comentário
Resposta Correta D
Comentário

Alternativa Correta: D.

O quadro sugere doença de Kawasaki incompleta: febre prolongada, alterações mucocutâneas e marcadores inflamatórios elevados. Em crianças de alto risco, corticosteroide pode ser associado à imunoglobulina intravenosa desde o tratamento inicial.

Análise das alternativas:

  • A: Faltam critérios clínicos suficientes para classificar a apresentação como Kawasaki clássica completa; a forma incompleta permanece possível.
  • B: Casos resistentes à primeira imunoglobulina podem receber nova dose ou outras estratégias imunomoduladoras; a repetição não é proibida.
  • C: AAS em baixa dose é usado principalmente como antiagregante após fase febril; o esquema inicial da doença depende da fase e da diretriz, não se resume a 3–5 mg/kg/dia desde o início.
  • D: Correta. Em pacientes de alto risco para aneurisma coronariano, diretrizes admitem corticosteroide adjunto à imunoglobulina para reduzir complicações.
  • E: Infecção concomitante não exclui Kawasaki; quadros infecciosos podem coexistir e a avaliação deve integrar o conjunto clínico.

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