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UNESP 2023

Questão 26 — UNESP 2023

Ginecologia e Obstetrícia Obstetrícia Hemorragias da Segunda Metade da Gestação
Gestante de 33 anos com 36 semanas refere dor em baixo ventre há duas horas. AP: G3P1A1. Exame físico: PA 140x100mmHg, FC 96bpm, dinâmica uterina com 5 contrações de 40 segundos em 10 minutos, BCF 164 bpm. Toque vaginal: colo médio, medianizado, dilatado 3cm, bolsa íntegra. Durante a avaliação a paciente apresenta aumento súbito da dor, seguido de sangramento vaginal escuro, em moderada quantidade e dificuldade para ausculta dos batimentos fetais. A hipótese diagnóstica e a conduta são:
A descolamento prematuro de placenta; rotura imediata da bolsa para reduzir a formação do coágulo retroplacentário e parto cesáreo de emergência.
B trabalho de parto taquitócico; analgesia de trabalho de parto para reduzir a dinâmica uterina.
C trabalho de parto taquitócico; rotura da bolsa para reduzir a dinâmica uterina e melhorar o fluxo útero-placentário.
D placenta prévia sem diagnóstico com sangramento decorrente do exame de toque vaginal; ultrassonografia de urgência para confirmação diagnóstica.
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Resposta Correta A
Comentário

O quadro é típico de descolamento prematuro da placenta (DPP): hipertensão materna, dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal escuro e aparecimento de dificuldade para auscultar os batimentos fetais. O DPP costuma cursar com hipertonia/taquissistolia uterina e sofrimento fetal por perda aguda da superfície de troca placentária.

Com 36 semanas, feto vivo e sinais de comprometimento fetal, a prioridade é resolução imediata da gestação. Se o parto vaginal não for iminente, a cesariana de emergência é geralmente indicada. A amniotomia pode ser realizada em determinados cenários para reduzir a distensão uterina e facilitar a progressão do parto, mas não deve atrasar a via mais rápida diante de sofrimento fetal.

Placenta prévia, por contraste, apresenta classicamente sangramento vermelho vivo e indolor, e o toque vaginal digital deve ser evitado até excluir essa possibilidade. A deterioração abrupta com dor e sangramento escuro torna o DPP muito mais provável. A questão exige reconhecer a emergência obstétrica e priorizar estabilização materna e nascimento rápido.

Análise das alternativas:

  • A: Correta. Dor súbita, sangramento escuro, hipertensão e comprometimento fetal sugerem DPP; com feto vivo em sofrimento, a resolução deve ser imediata.
  • B: Incorreta. Taquissistolia isolada não explica o sangramento escuro e a deterioração súbita da condição fetal.
  • C: Incorreta. Amniotomia não é indicada como simples tratamento de taquissistolia e o quadro é compatível com descolamento placentário.
  • D: Incorreta. Placenta prévia tipicamente cursa com sangramento vermelho vivo e indolor; toque vaginal seria contraindicado se essa hipótese fosse provável.

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