Questão 53 — UNESP 2023
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O quadro é compatível com estado hiperglicêmico hiperosmolar: glicose de 660 mg/dL, hipernatremia, desidratação intensa, alteração do nível de consciência e ausência de acidose metabólica típica da cetoacidose. O uso de inibidor de SGLT2 merece atenção, mas a gasometria mostra alcalemia e bicarbonato elevado, não cetoacidose clássica.
A primeira medida terapêutica é reposição vigorosa e monitorizada de volume com cristaloide. O déficit de água no estado hiperosmolar costuma ser muito grande, e restaurar a perfusão renal por si só reduz a glicemia e melhora a depuração. Após avaliação do sódio corrigido e da resposta hemodinâmica, ajusta-se o tipo e a velocidade dos fluidos.
Insulina intravenosa é iniciada após a reposição inicial e avaliação do potássio. Eletrólitos, osmolaridade e estado neurológico devem ser monitorizados para evitar correções rápidas demais. A creatinina elevada é provavelmente consequência de hipovolemia; diálise só seria considerada diante de indicações específicas refratárias. A prioridade fisiológica é corrigir a hipovolemia antes de tratar números isolados.
Análise das alternativas:
- A: Incorreta. Leucocitose pode ocorrer por estresse e não há evidência suficiente de infecção como causa primária que anteceda a correção volêmica.
- B: Incorreta. Lesão renal é provavelmente pré-renal por desidratação e não constitui indicação imediata de terapia renal substitutiva.
- C: Correta. O estado hiperosmolar causa déficit hídrico extremo; reposição com cristaloide isotônico é a primeira intervenção.
- D: Incorreta. Água livre enteral não é a prioridade inicial em paciente torporoso e hipovolêmico; primeiro deve-se restaurar perfusão intravascular.
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