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UNESP 2024

Questão 78 — UNESP 2024

Cirurgia Geral Cirurgia Vascular Isquemia Aguda de Membro
Homem de 82 anos refere dor intensa em membro inferior direito (MID) de início há seis horas, associada à cianose, sem fatores de melhora. Nega claudicação prévia. AP: desconhece comorbidades. Ao exame físico: fácies de dor, ansioso, PA 160 x 100 mmHg, FC 120 bpm irregular, membro inferior esquerdo com boa perfusão e todos os pulsos palpáveis; MID pálido, gradiente térmico desde região proximal da perna, cianose não fixa de pododáctilos, diminuição da sensibilidade, motricidade prejudicada, pulso femoral palpável, demais não palpáveis, enchimento venoso lentificado. Aos exames laboratoriais: CPK 3 500 UI/L, Cr 1,2 mg/dL. ECG: ritmo de fibrilação atrial, sem isquemia aguda. O diagnóstico e a conduta são, correta e respectivamente:
A Oclusão arterial aguda; iniciar anticoagulação e observar se há melhora dos sintomas e queda nos níveis de CPK.
B Oclusão arterial aguda; reversão da fibrilação atrial, seguida de anticoagulação.
C Oclusão arterial aguda; tromboembolectomia a Fogarty de urgência.
D Trombose venosa profunda; fibrinólise intra-trombo.
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Resposta Correta C
Comentário

Alternativa Correta: C.

O paciente apresenta os “6 Ps” da isquemia arterial aguda: pain, pallor, pulselessness, paresthesia, paralysis e poikilothermia. A fibrilação atrial, início súbito e ausência de claudicação prévia favorecem êmbolo arterial como mecanismo.

déficit motor e sensitivo, o que caracteriza membro imediatamente ameaçado (classificação de Rutherford IIb). Nessa categoria, não há tempo para observação prolongada ou apenas anticoagulação: é necessária revascularização de urgência. A embolectomia com cateter de Fogarty é técnica clássica quando há êmbolo acessível.

Heparinização sistêmica costuma ser iniciada precocemente se não houver contraindicação, mas serve para impedir propagação do trombo e não substitui o restabelecimento do fluxo. Após reperfusão, deve-se monitorar síndrome de reperfusão, hipercalemia, acidose e síndrome compartimental.

Análise das alternativas:

  • A: Incorreta. Déficit motor e sensitivo indica membro imediatamente ameaçado; observar após anticoagulação isolada pode resultar em perda do membro.
  • B: Incorreta. Reverter a fibrilação atrial não remove o êmbolo já impactado e não substitui revascularização urgente.
  • C: Correta. Oclusão arterial aguda embólica com déficit neurológico configura isquemia grave e requer revascularização imediata, classicamente por embolectomia com cateter de Fogarty.
  • D: Incorreta. O exame mostra isquemia arterial aguda, não trombose venosa; fibrinólise venosa não é a conduta indicada.

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