Questão 10 — UNIFESP 2020
Com relação a tromboflebite superficial ascendente, é correto afirmar:
Ver Resposta e Comentário
Alternativa Correta: E.
Resposta esperada pela banca na época: Alternativa E. Na abordagem cirúrgica vascular clássica vigente à época de elaboração da prova, a trombose venosa superficial (tromboflebite superficial) ascendente da veia safena magna envolvendo o terço médio da coxa era considerada de elevado risco para progressão em direção à junção safenofemoral (crossa da safena) e subsequente extensão para a veia femoral comum, com alto potencial de embolia pulmonar. Nesses cenários de trombo troncular proximal progressivo na coxa, indicava-se rotineiramente a desconexão cirúrgica de urgência mediante ligadura da crossa da safena magna (crosectomia) na tentativa de criar uma barreira anatômica mecânica à embolização.
Atualização conforme diretrizes atuais: Diretrizes vasculares internacionais e nacionais contemporâneas (incluindo as recomendações da European Society for Vascular Surgery - ESVS 2021/2022, do painel CHEST e da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular - SBACV) transformaram expressivamente o manejo da tromboflebite superficial. Ensaios clínicos demonstraram que a anticoagulação farmacológica plena é significativamente mais eficaz e segura do que a ligadura cirúrgica. Atualmente, para tromboflebites superficiais extensas (≥ 5 cm de comprimento) ou de localização proximal em troncos safenos (especialmente quando situadas a menos de 3 cm da junção safenofemoral), a conduta de primeira escolha consiste na anticoagulação terapêutica por 3 meses (com anticoagulantes orais diretos - DOACs, como a rivaroxabana, ou fondaparinux/heparina de baixo peso molecular). A intervenção cirúrgica de ligadura da crossa ficou reservada estritamente como medida de exceção para pacientes com contraindicação absoluta aos anticoagulantes ou progressão tromboembólica comprovada durante anticoagulação plena adequada.
Refutação detalhada das demais alternativas:
- A está incorreta: A ecografia vascular com Doppler colorido é o exame de eleição, seguro e indispensável. Ela não provoca embolização e é essencial para mapear a extensão do trombo, medir a distância precisa até a junção safenofemoral e afastar a concomitância de trombose venosa profunda oculta (presente em 15% a 25% dos pacientes).
- B está incorreta: Os trombolíticos/fibrinolíticos não têm papel no manejo de tromboflebite superficial, uma vez que o risco hemorrágico supera largamente qualquer benefício terapêutico.
- C está incorreta: As medidas físicas sintomáticas padronizadas incluem repouso relativo inicial com elevação do membro, elastocompressão adequada e a aplicação local de compressas mornas (que estimulam a vasodilatação local e a resolução do infiltrado inflamatório perivenoso), e não compressas frias.
- D está incorreta: A afecção acomete predominantemente um único membro (unilateral) e decorre de trombose e inflamação estéril da parede venosa, inexistindo justificativa para prescrição rotineira de antibióticos na ausência de tromboflebite supurativa bacteriana secundária a cateterismo venoso infectado.
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