Questão 13 — UNIFESP 2020
Gestante de 24 semanas vem para consulta de rotina pré-natal. A ultrassonografia morfológica evidenciou feto feminino, único, artéria umbilical única e polidrâmnio, sem visibilização de bolha gástrica. O diagnóstico é:
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Alternativa Correta: A.
O caso clínico traz os achados ultrassonográficos característicos do rastreamento pré-natal de malformações digestivas congênitas: presença de polidrâmnio associado à ausência persistente de visualização da bolha gástrica (estômago vazio) e artéria umbilical única (marcador comum de malformações congênitas associadas, como no complexo VACTERL e aneuploidias). Esse conjunto de achados fecha o diagnóstico de atresia de esôfago sem fístula traqueoesofágica (atresia pura ou tipo A de Ladd / Vogt tipo II).
Fisiopatologia Fetal e Dinâmica do Líquido Amniótico:
- A partir da 16ª à 20ª semana de gestação, a deglutição fetal de líquido amniótico e sua absorção pelo trato gastrointestinal proximal constituem o principal mecanismo de reabsorção e homeostase do volume amniótico;
- Na atresia de esôfago pura (sem fístula), o esôfago termina em fundo cego superior sem qualquer comunicação com a árvore traqueobrônquica distal. O feto é completamente incapaz de deglutir o líquido amniótico até o estômago, resultando em acúmulo de líquido no saco amniótico (polidrâmnio) e câmara gástrica persistentemente vazia e invisível à ultrassonografia;
- Na atresia de esôfago com fístula traqueoesofágica distal (tipo C de Ladd / Vogt IIIb, forma mais frequente em 85% a 90% dos casos), o líquido amniótico inspirado ou secreções respiratórias alcançam a traqueia e passam pela fístula distal até a câmara gástrica, tornando a bolha gástrica habitualmente visível ao ultrassom pré-natal;
- No período pós-natal imediato, o recém-nascido com atresia sem fístula apresenta sialorreia abundante, engasgos à alimentação e radiografia de abdome totalmente opaca (sem gás no estômago e intestino), ao passo que na forma com fístula há aeração do trato digestivo.
Análise dos distratores:
- B. atresia de primeira porção duodenal: Incorreta, pois a obstrução duodenal impede a progressão distal do líquido deglutido, gerando dilatação gástrica e da primeira porção duodenal, visível na ultrassonografia como o clássico sinal da dupla bolha com polidrâmnio.
- C. coristoma: Incorreta, pois coristoma é uma alteração histológica benigna caracterizada por tecido maduro normal presente em sítio anatômico heterotópico (ex.: mucosa gástrica em divertículo de Meckel), não justificando o polidrâmnio ou a ausência da bolha gástrica.
- D. fístula em H: Incorreta, pois na fístula traqueoesofágica tipo H (tipo E de Ladd) o esôfago é contínuo e pérvio, havendo passagem normal de líquido deglutido para o estômago, mantendo a bolha gástrica ultrassonográfica normal.
- E. atresia de esôfago com fístula distal: Incorreta, pois a presença de comunicação fistulosa entre a traqueia e o coto esofágico distal permite a entrada de fluido e gás no estômago, fazendo com que a bolha gástrica esteja quase sempre visível no pré-natal.
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