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UNIFESP 2020

Questão 29 — UNIFESP 2020

Clínica Médica Endocrinologia e Metabologia Tireoide

Mulher, 32 anos de idade apresenta US de tireoide com nódulo sólido no terço médio do lobo direito com diâmetro de 1,5 cm, hipoecogênico, bem delimitado, com macrocalcificações, fluxo periférico e presença de halo periférico completo. Qual das características descritas acima indica maior risco de malignidade?

A Hipoecogenicidade.
B Diâmetro maior que 1 cm.
C Macrocalcificação.
D Fluxo periférico.
E Halo periférico completo.
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Resposta Correta A
Comentário

Alternativa Correta: A.

Estratificação de Risco Ultrassonográfico de Malignidade da Tireoide:
A ultrassonografia de tireoide de alta resolução é a principal ferramenta para estratificar o risco de malignidade de nódulos tireoidianos, orientando a necessidade de Punção Aspirativa por Agulha Fina (PAAF), segundo sistemas padronizados internacionais como o ACR TI-RADS (American College of Radiology) e o consenso da ATA (American Thyroid Association).

Características de Suspeição e Risco de Malignidade:

  • Hipoecogenicidade (Marcador de Risco): A textura acústica do nódulo sólida hipoecogênica (ecogenicidade inferior à do parênquima tireoidiano normal adjacente ou à da musculatura pré-tireoidiana) é um dos achados ultrassonográficos mais consistentes associados a neoplasias malignas da tireoide (particularmente o Carcinoma Papilífero de Tireoide, que é hipoecogênico em mais de 70-85% dos casos). No sistema ACR TI-RADS, a hipoecogenicidade pontua 2 pontos e a hipoecogenicidade acentuada pontua 3 pontos, conferindo maior suspeição entre os critérios listados na questão. Em contraste, nódulos isocóicos ou hiperecóicos têm menor risco de malignidade.
  • Calcificações: As calcificações altamente suspeitas de malignidade são as microcalcificações puntiformes (< 1 mm sem sombra acústica posterior), que representam corpos psamomatosos histológicos típicos do carcinoma papilífero. As macrocalcificações grosseiras (com sombra acústica) e calcificações periféricas em casca de ovo são achados inespecíficos, frequentemente vistos em lesões benignas por degeneração distrófica crônica (nódulos coloides e adenomas).
  • Halo periférico: A visualização de um halo hipoecoico fino, regular e completo circundando todo o nódulo é um clássico sinal de benignidade (expressa uma cápsula fibrosa íntegra e vasos capsulares comprimidos por crescimento lento). A ausência ou a interrupção do halo é que levanta suspeita oncológica.
  • Padrão ao Doppler (Classificação de Chammas): O fluxo vascular predominantemente periférico/perinodular (padrão II de Chammas) está tipicamente associado a lesões benignas e adenomas foliculares funcionantes. Ao contrário, a vascularização predominantemente intranodular central (padrão IV de Chammas) ou mista com predomínio central correlaciona-se com maior risco neoplásico.
  • Diâmetro do Nódulo (> 1 cm): O tamanho da lesão estabelece o ponto de corte para a indicação de biópsia (PAAF), visando não intervir em microcarcinomas clinicamente indolentes, mas não define maior risco intrínseco de malignidade biológica. Um nódulo de 1,5 cm tem aproximadamente o mesmo risco biológico de malignidade do que outro nódulo com as mesmas características ecográficas que meça 0,8 cm.

Portanto, dentre todas as características descritas no enunciado (sólido, 1,5 cm, hipoecogênico, bem delimitado, macrocalcificações, fluxo periférico e halo periférico completo), a hipoecogenicidade é a única que constitui fator independente indicativo de maior risco de malignidade.

Análise dos Distratores:

  • B (Incorreta): O diâmetro maior que 1 cm atua meramente como critério de corte de tamanho para indicação de punção em conjunto com a ecografia, não conferindo maior probabilidade intrínseca de malignidade ao nódulo.
  • C (Incorreta): As macrocalcificações decorrem de processos degenerativos distróficos comuns em nódulos benignos; as calcificações associadas à malignidade são as microcalcificações puntiformes.
  • D (Incorreta): O fluxo vascular periférico ao mapeamento com Doppler colorido caracteriza o padrão II de Chammas, predominantemente associado a nódulos tireoidianos benignos.
  • E (Incorreta): O halo periférico completo e regular é um dos achados de imagem com mais alto valor preditivo para benignidade da lesão.

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