Questão 39 — UNIFESP 2020
Homem, 19 anos de idade, apresenta tosse com expectoração amarela, sem sangue, há 3 dias, acompanhada de dor torácica posterior direita e febre de 38,5C. Nega falta de ar, doenças associadas, tabagismo, etilismo ou viagens recentes. Exame físico: FR 16 irpm, Sat O2 97% ar ambiente, FC 95 bpm, PA 120x80 mmHg; estertores crepitantes finos na base posterior do pulmão direito; restante sem alterações. Radiografia de tórax: consolidação segmentar em lobo inferior direito. Quais são o diagnóstico e a conduta mais adequados?
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Alternativa Correta: B.
O paciente é um jovem de 19 anos, previamente hígido, apresentando quadro respiratório agudo (febre, tosse produtiva purulenta, dor torácica pleurítica e crepitações pulmonares focais) com confirmação radiológica de condensação alveolar em lobo inferior direito, caracterizando tipicamente uma Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) típica, cujo agente mais prevalente é o Streptococcus pneumoniae (pneumococo).
Estratificação de Gravidade pelo Escore CURB-65:
A decisão quanto ao local de tratamento (ambulatorial vs enfermaria vs UTI) deve ser orientada por escores prognósticos objetivos validados, sendo o CURB-65 o mais amplamente utilizado:
- C (Confusão mental): Ausente (0 pontos);
- U (Ureia > 50 mg/dL): Jovem hígido sem alteração renal (0 pontos);
- R (Frequência Respiratória ≥ 30 irpm): FR é de 16 irpm (0 pontos);
- B (Blood pressure - Pressão Arterial: PAS < 90 ou PAD ≤ 60 mmHg): PA é de 120x80 mmHg (0 pontos);
- 65 (Idade ≥ 65 anos): Paciente tem 19 anos (0 pontos).
Portanto, o escore CURB-65 = 0. Esse escore prediz mortalidade mínima (< 1%), indicando de forma inequívoca o tratamento em regime ambulatorial.
Esquema Antimicrobiano Inicial:
Segundo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e da Infectious Diseases Society of America / American Thoracic Society (IDSA/ATS), o paciente ambulatorial hígido e sem comorbidades ou uso recente de antibióticos deve receber monoterapia oral com:
- Betalactâmico: Amoxicilina (500 mg a 1 g VO de 8/8h) ou Amoxicilina + Clavulanato; OU
- Macrolídeo: Azitromicina (500 mg VO 1x/dia por 5 dias) ou Claritromicina (500 mg VO 12/12h por 5-7 dias).
(Não há indicação de quinolonas respiratórias como levofloxacino/moxifloxacino como primeira escolha nesse perfil de baixo risco, devido aos riscos de efeitos adversos e seleção de resistência bacteriana).
Seguimento Clínico e Radiológico:
- Reavaliação clínica em 48 a 72 horas: Essencial para confirmar a lise da febre e melhora do estado geral (resposta terapêutica favorável). Se houver piora ou ausência de melhora, reavalia-se o diagnóstico e a cobertura antibiótica.
- Controle clínico e radiológico ao final do tratamento / seguimento: O controle radiológico não deve ser realizado precocemente (as alterações tomográficas e radiográficas demoram até 4 a 6 semanas para desaparecer completamente), devendo ser feito após o término do tratamento ou entre 6 a 8 semanas apenas se persistência de sintomas ou em tabagistas para excluir neoplasia oculta.
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