Questão 44 — UNIFESP 2020
Mulher, 60 anos de idade, apresenta nódulo irregular de 8 mm na mama direita identificado na mamografia e na ultrassonografia. O resultado da biópsia revelou hiperplasia ductal atípica. Qual é a próxima conduta?
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Alternativa Correta: D.
A hiperplasia ductal atípica (HDA) é classificada como uma lesão proliferativa epitelial com atipia, considerada tanto uma lesão marcadora de risco aumentado para o desenvolvimento futuro de câncer de mama bilateral (risco relativo de 4 a 5 vezes superior à população geral) quanto uma lesão precursora clonal direta de carcinoma ductal.
Justificativa da Exérese Cirúrgica:
Quando a HDA é diagnosticada em material de biópsia percutânea por agulha (seja core biopsy ou biópsia a vácuo/mamotomia), existe uma relevante taxa de subestimação histopatológica (underestimation rate) que varia de 10% a 30% na literatura médica. Isso significa que em até quase um terço das pacientes, a biópsia por agulha capturou apenas a periferia de uma lesão neoplásica mais grave, e a peça cirúrgica excisional definitiva revelará a coexistência de carcinoma ductal in situ (CDIS) ou mesmo carcinoma invasor.
Portanto, a conduta padrão-ouro mandatória estabelecida pelos consensos da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), NCCN e ESMO é a exérese cirúrgica completa da lesão.
Marcação Pré-Operatória em Lesões Não Palpáveis:
Como o nódulo mede apenas 8 mm e não é clinicamente palpável, a ressecção cirúrgica requer planejamento e localização pré-operatória guiada por imagem no mesmo dia da cirurgia. As duas técnicas consagradas para essa finalidade são:
- Localização com Fio Guia Metálico (Agulhamento): inserção percutânea de fio metálico com anzol guiada por mamografia ou ultrassonografia até o centro do nódulo.
- ROLL (Radioguided Occult Lesion Localization): injeção intralesional de tecnécio-99m ligado a macroagregado de albumina, permitindo a localização intraoperatória com uso de detector gama (gama-probe).
O controle radiológico (B) é contraindicado pelo risco de retardar o tratamento de neoplasia invasora oculta. A ressonância (A) não afasta a indicação cirúrgica, e as terapias hormonais (C e E) só podem ser discutidas como quimioprevenção após a análise histológica de toda a peça cirúrgica demonstrar margens livres e ausência de carcinoma invasor ou in situ.
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