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UNIFESP 2020

Questão 48 — UNIFESP 2020

Ginecologia e Obstetrícia Uroginecologia e Distopias Incontinência e Disfunções do Assoalho Pélvico

Mulher, 69 anos de idade, refere urgência em urinar no retorno ao seu domicílio e, às vezes, tem perda urinária concomitante, há 6 meses. Qual é o diagnóstico clínico e a conduta?

A Incontinência Urinária de Esforço, indicar cirurgia de Burch
B Infecçcão Urinária de repetição, prescrição de antibioticoprofilaxia por 6 meses
C Incontinência Urinária de Esforço, indicar fisioterapia do assoalho pélvico
D Síndrome da Bexiga Hiperativa, prescrição de antagonista de receptor B3 adrenérgico
E Síndrome da Bexiga Hiperativa, prescrição de anticolinérgico ou B3 adrenérgico
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Resposta Correta E
Comentário

Alternativa Correta: E.

A queixa clínica de urgência miccional (necessidade súbita, imperiosa e incontrolável de urinar de difícil adiamento), acompanhada por episódios involuntários de perda de urina intimamente associados à urgência — classicamente deflagrada ao retornar à residência (fenômeno gatilho pavloviano conhecido como "síndrome da chave na fechadura") — define o diagnóstico de Síndrome da Bexiga Hiperativa (SBH) com incontinência urinária de urgência (SBH "úmida").

Diagnóstico Diferencial:

  • Incontinência Urinária de Esforço (IUE): Caracteriza-se por perdas urinárias involuntárias que coincidem rigorosamente com aumentos súbitos da pressão intra-abdominal (tosse, espirro, riso, agachamento ou esforço físico), na ausência de sensação prévia de urgência ou contração não inibida do músculo detrusor.
  • Infecção do Trato Urinário de Repetição: Exigiria documentação laboratorial microbiológica de pelo menos 2 episódios em 6 meses ou 3 no último ano, além de sintomas inflamatórios agudos (disúria, dor suprapúbica), ausentes no quadro crônico estável da paciente.

Manejo Farmacológico de Primeira Linha da Síndrome da Bexiga Hiperativa:

Aliado às modificações do estilo de vida e ao treinamento vesical, o tratamento medicamentoso visa restabelecer o relaxamento e a estabilidade do músculo detrusor durante a fase de enchimento:

  1. Anticolinérgicos / Antimuscarínicos: Fármacos antagonistas dos receptores muscarínicos M2 e M3 do detrusor (ex.: oxibutinina, tolterodina, darifenacina, solifenacina), que bloqueiam a estimulação parassimpática da acetilcolina, inibindo as contrações involuntárias da bexiga.
  2. Agonistas dos Receptores Beta-3 Adrenérgicos: Representados primariamente pela mirabegrona, estes fármacos agem ativando (ou seja, são agonistas, e não antagonistas) os receptores beta-3 no detrusor, promovendo relaxamento mediado pela estimulação simpática e elevando a capacidade de armazenamento vesical. Essa classe possui a vantagem clínica de não apresentar os efeitos adversos anticolinérgicos típicos (boca seca, constipação intestinal, piora cognitiva em idosos).

A alternativa D erra grosseiramente ao descrever o fármaco beta-3 como "antagonista", tornando a alternativa E a única proposição conceitualmente correta.

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