Questão 49 — UNIFESP 2020
Mulher, 18 anos de idade, virgem, refere namoro há 3 meses e iniciará a vida sexual em breve. Tem diagnóstico de enxaqueca com aura e útero septado. Exame físico sem alterações. Qual dos métodos contraceptivos abaixo pode ser indicado nessa consulta?
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Alternativa Correta: A.
A escolha contraceptiva na paciente jovem de 18 anos deve ser rigorosamente pautada nos Critérios de Elegibilidade Médica para Escolha de Métodos Contraceptivos da OMS / Ministério da Saúde, confrontando as duas condições clínicas presentes no caso:
- Enxaqueca com Aura: Mulheres portadoras de enxaqueca com aura apresentam risco intrínseco significativamente aumentado de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico. A associação com qualquer método contraceptivo hormonal combinado contendo estrogênio (como pílula combinada oral, anel vaginal ou adesivo transdérmico) potencializa de forma sinérgica o risco tromboembólico e cerebrovascular arterial. Portanto, pelos critérios da OMS, o uso de métodos combinados com estrogênio na enxaqueca com aura é classificado como Categoria 4 (contraindicação absoluta / risco inaceitável à saúde). Isso desqualifica imediatamente as alternativas D (pílula combinada) e E (anel vaginal com etinilestradiol).
- Útero Septado: Anomalias anatômicas congênitas müllerianas que distorcem a cavidade endometrial constituem Categoria 4 da OMS para inserção de dispositivos intrauterinos (tanto o DIU de cobre quanto o SIU de levonorgestrel). A inserção de DIU em útero septado acarreta risco acentuado de perfuração do miométrio ou septo, deslocamento, sangramento intratável e falha contraceptiva precoce. Isso afasta a alternativa B (DIU de cobre).
Indicação do Implante Subdérmico de Etonogestrel:
O implante subcutâneo liberador de etonogestrel é um método reversível de ação prolongada (LARC) composto exclusivamente por progestagênio (isento de estrogênio). Como não eleva o risco trombótico cerebral, é classificado como seguro na enxaqueca com aura (Categoria 2 / Categoria 1 da OMS). Além disso, sua localização de inserção é no tecido celular subcutâneo do membro superior, não dependendo em absoluto da cavidade endometrial e não sofrendo interferência da malformação do útero septado. Destaca-se ainda como o método de mais alta eficácia contraceptiva disponível (índice de Pearl de 0,05).
O preservativo feminino (C) apresenta taxa de falha substancial no uso típico (cerca de 21%) e exige manuseio técnico complexo e desconfortável para uma paciente virgem iniciando sua vida sexual, não constituindo a melhor recomendação médica de primeira linha nessa consulta.
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