Questão 52 — UNIFESP 2020
Parturiente, 22 anos de idade, 40 semanas de gestação, encontra-se no período expulsivo do parto há 40 minutos. O feto encontra-se em OET, plano +2 de De Lee, batimento cardíaco fetal em 80 bpm há 2 minutos. Qual é a conduta mais adequada?
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Alternativa Correta: A.
A questão descreve uma parturiente primípara no período expulsivo do parto há 40 minutos (duração absolutamente fisiológica, uma vez que o período expulsivo em nulíparas sem analgesia pode durar até 2 horas). A apresentação fetal encontra-se em plano +2 de De Lee e variedade de posição transversa (Occipito-Esquerda-Transversa — OET). O batimento cardíaco fetal caiu para 80 bpm há apenas 2 minutos.
De acordo com os consensos internacionais de monitorização fetal intraparto (NICHD, FIGO e ACOG):
1. Definição do padrão da FCF: Uma queda abrupta da frequência cardíaca fetal abaixo da linha de base com amplitude ≥ 15 bpm e duração entre 2 e 10 minutos define uma desaceleração prolongada (se durasse ≥ 10 minutos, seria definida como alteração da linha de base/bradicardia). No período expulsivo, desacelerações episódicas ou prolongadas são frequentemente causadas por compressão de cordão umbilical ou compressão aortocava materna durante as contrações e esforços de puxo.
2. Conduta Imediata — Reanimação Intrauterina: Diante de uma desaceleração aguda de apenas 2 minutos de evolução, a primeira e prioritária medida clínica consiste na reanimação intrauterina para restabelecer a oxigenação fetal. A principal manobra é o posicionamento materno em decúbito lateral esquerdo (DLE), que descomprime a veia cava inferior e a aorta abdominal, otimizando o retorno venoso, o débito cardíaco materno e a perfusão da artéria uterina. Associa-se a suspensão de ocitocina (se houver infusão em curso), hidratação volêmica, eventual oxigenioterapia e cardiotocografia contínua para vigiar a recuperação da FCF.
3. Indicação de Resolução do Parto: A instrumentalização do parto (parto vaginal operatório) ou cesárea só estaria indicada se as manobras conservadoras de reanimação intrauterina falhassem e o sofrimento fetal se confirmasse mantido/refratário.
Análise detalhada das alternativas:
• Alternativa A (Correta): Corresponde exatamente ao primeiro passo: manobras de alívio postural com DLE para reverter a provável compressão vascular transitória e avaliação contínua do traçado cardiotocográfico.
• Alternativa B (Incorreta): A cesariana imediata seria excessivamente invasiva, demorada e precipitada para um feto com desaceleração de apenas 2 minutos e cabeça já em plano +2 de De Lee, antes de qualquer manobra de reanimação intrauterina.
• Alternativa C (Incorreta): A vácuo-extração imediata é intempestiva e acarreta riscos de descolamento de cúpula e falha de tração, mormente em apresentação transversa (OET) ainda em plano +2 sem tentativa prévia de ressuscitação intrauterina.
• Alternativa D (Incorreta): O fórceps de Simpson-Braun possui curvatura pélvica acentuada e ramos que se articulam por encaixe fixo, sendo formalmente contraindicado para correções de variedades transversas (não deve ser usado para rotações > 45°), sob grave risco de lesão de partes moles maternas e traumatismo craniofacial fetal.
• Alternativa E (Incorreta): O fórceps de Kielland é o instrumento clássico rotador para variedades transversas, porém a instrumentação operatória é conduta secundária, cabível somente após esgotadas as manobras conservadoras de reanimação intrauterina se persistir padrão fetal não tranquilizador.
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