Questão 54 — UNIFESP 2020
Secundigesta com parto normal anterior, 37 anos de idade, novo parceiro na gravidez atual. Recebeu resultado de sorologia positiva para HIV com 13 semanas de gestação. Indicada terapia antirretroviral. A paciente questiona quanto a melhor via de parto e aleitamento materno. Nesse caso, qual a orientação e conduta adequadas?
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Alternativa Correta: E.
O manejo da gestante vivendo com infecção pelo HIV para prevenção da transmissão vertical (TV) baseia-se em pilares bem definidos pelo Ministério da Saúde do Brasil e diretrizes internacionais:
1. Via de Parto e Carga Viral (CV):
• A via de parto é definida pela dosagem da carga viral plasmática do HIV realizada a partir da 34ª semana de gestação (idealmente avaliada em torno da 35ª semana).
• Carga Viral Indetectável ou < 50 cópias/mL (ou < 1.000 cópias/mL): O parto vaginal é perfeitamente seguro e permitido, sendo a indicação da via estritamente obstétrica (mulheres com cesárea anterior ou sem cesárea prévia podem ter parto vaginal normal). Não há necessidade de cesárea profilática para TV nessa situação, e se a CV for < 50 cópias/mL no 3º trimestre nem sequer se prescreve zidovudina (AZT) venosa intraparto nas diretrizes brasileiras mais recentes.
• Carga Viral ≥ 1.000 cópias/mL ou Desconhecida no 3º trimestre: Está formalmente indicada a cesariana eletiva com 38 semanas de gestação (antes do início espontâneo do trabalho de parto e com membranas intactas), associada à infusão intravenosa contínua de AZT intraparto iniciada pelo menos 3 horas antes da incisão cirúrgica.
2. Aleitamento Materno:
• No Brasil, o aleitamento materno é CONTRAINDICADO DE FORMA ABSOLUTA para mulheres vivendo com HIV, independentemente do uso de terapia antirretroviral (TARV) e mesmo que a carga viral materna esteja indetectável. O aleitamento cruzado (por outra lactante) também é expressamente proibido.
• O SUS garante gratuitamente a inibição farmacológica da lactação materna no pós-parto imediato (com Cabergolina 1,0 mg via oral em dose única) e o fornecimento regular de fórmula láctea infantil para a criança até pelo menos os 6 meses de vida (estendendo-se conforme critérios pediátricos locais).
Análise detalhada das alternativas:
• Alternativa A (Incorreta): A cesariana eletiva não é a melhor opção universal independente da carga viral; mulheres com carga viral indetectável beneficiam-se do parto vaginal com segurança idêntica e menor morbidade cirúrgica.
• Alternativa B (Incorreta): Carga viral > 1.000 cópias/mL é indicação categórica de cesariana eletiva com 38 semanas; o parto vaginal nessa faixa eleva substancialmente o risco de transmissão intraparto.
• Alternativa C (Incorreta): A alternativa utiliza terminologia leiga inadequada ("não está liberado") em oposição ao termo técnico e regulatório oficial ("está contraindicado"), o que torna a alternativa E a formulação correta e precisa da banca.
• Alternativa D (Incorreta): A amamentação não é uma decisão pessoal eletiva da mãe, mas uma contraindicação médica absoluta devido ao risco documentado de infecção viral pós-natal pelo leite materno.
• Alternativa E (Correta): Corretamente aponta que com carga viral indetectável às 35 semanas a paciente pode evoluir para parto vaginal (via obstétrica) e que o aleitamento materno permanece formalmente contraindicado.
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